Mercearia Colaborativa: vitrine para produtos locais

A colaboração e a cooperação são a espinha dorsal das atividades mais inovadoras em ciência, cultura e negócios. Esse modelo está cada vez mais presente no nosso cotidiano graças à sociedade conectada em rede. Não se trata de uma moda, mas de uma nova onda global que impulsiona formas inovadoras de lidar com o consumo, com a produção e com o papel de cada um de nós nesse mundo tão diverso e criativo, e ao mesmo tempo tão desigual e conservador. Ou a gente colabora e coopera ou corre o risco de afogar o futuro das próximas gerações.

Aqui no Quadradinho, a maré colaborativa inundou vários segmentos: artes plásticas, cultura, moda, alimentos e por aí vai. É o caso da Mercearia Colaborativa, criada a partir dessa visão do mercado, baseada na divisão de espaços e de custos. A loja na Asa Norte abriu as portas em setembro deste ano e é um empreendimento do trio Gustavo Bill (32), André Batista (35) e Carol Oliveira (31).

Conversei com a Carol sobre de que maneira a Mercearia está alinhada ao consumo consciente. Para ela, apenas o fato de oferecer produtos feitos fora dos padrões industriais já sincroniza a loja com esse conceito.

“Nossos expositores vendem algo feito com cuidados que máquinas não têm. Os insumos passam por um crivo de qualidade que grandes indústrias não se preocupam. Isso reflete na forma com que o consumidor final vê o produto: a forma que foi feito, ingredientes utilizados e data de fabricação”.
Carol Oliveira

Ela ainda observa que como os produtos da loja são de origem local estão sempre fresquinhos e não viajaram quilômetros para chegar aqui.

A motivação para o empreendimento gastronômico foi alimentada pelo sucesso de projetos colaborativos como o Boomerang [ferramenta que permite o aluguel e compartilhamento de bens e experiências] e que é de um dos sócios da empresa, a Endossa [loja colaborativa de moda e acessórios] e tantas outras iniciativas com essa vibração que pipocam mundo afora.

A Mercearia serve de vitrine para pequenos produtores locais exporem seus produtos, além de proporcionar contato entre eles e o cliente final. No espaço funciona a loja colaborativa com área para exposição de produtos (nichos) e de gelados e congelados. Tem ainda um café com produtos da loja e um cardápio simples e gostoso.

Os produtos expostos foram garimpados entre os produtores de Brasília sem pontos de venda fixos e com atuação em feiras e delivery, mas que se destacam pela excelente qualidade do que fazem. “Fizemos palestras antes de abrir a loja para atrair esse público e explicar como funcionaria um espaço em que cada nicho seria destinado a expor um produtor diferente, trazendo a diversidade de produtos que muitos consumidores não tinham acesso”, conta Carol.

Com a loja aberta, os sócios recebem as demandas e degustam as novidades no ato do fechamento do contrato. Também é feita a seleção por segmento para que não sejam oferecidos muitos produtos similares. “Oferecemos atualmente três marcas diferentes de brownies, duas de doces e duas de picolés. Assim, o consumidor pode optar por uma marca diferente, sem transformar a loja em expositora de produtos repetitivos”, explica.

Na loja colaborativa, a gestão é baseada em aluguéis, e os fornecedores escolhem o espaço e pagam um valor fixo por período de quatro semanas de vendas. Eles também estabelecem o valor do seu produto e a loja recebe 19% do total de vendas. “Os pontos de vendas tradicionais normalmente recebem o produto a um preço muito baixo (em que o produtor precisa diminuir sua margem de lucro) e colocam o valor que querem vender ao consumidor final, muitas vezes colocando até as perdas como responsabilidade do fornecedor”, compara Carol. Em empreendimentos como a Mercearia, o expositor recebe uma estrutura (equipe de funcionários, abertura da loja para eventos) como se a loja realmente fosse dele, mas a um custo muito menor.

Para este período de festas de fim de ano, a Mercearia oferece kits com variedade de produtos para presentear e vai para a lista do nosso guia de consumo consciente. Como o kit que inclui cervejas + queijos ou biscoitos + espumantes ou azeites + decoração para a cozinha.

Outra atração super cool da Mercearia são as baladas diurnas que eles organizam. “Normalmente nossos eventos são aos sábados e procuramos fazer uma temática que esteja em sintonia com o período, como foi a Pumpkingtoberfast no fim de semana próximo ao Halloween. As festividades destacam também os expositores, que muitas vezes promovem degustação dos seus produtos”, finaliza.

Serviço

Mercearia Colaborativa
CLN 412 Bloco E lojas 4, 6 e 10 – Asa Norte
(61) 99936-1616
De segunda-feira a sábado, das 9h às 21h
merceariacolaborativa@gmail.com

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