Lima – Flour and Flower: o tempo quem dita é a Natureza

Um tantão de amor, um punhado de confeitaria, outro tanto de ilustração botânica, doses generosas de frutas e temperos do quintal, muito respeito ao tempo da natureza e boas memórias da infância. Com esses ingredientes foi criada a Lima – Flour and Flower, uma marca de confeitaria genuinamente brasiliense.

Conversei com a criadora dessas gostosuras, Adriana Lima. Nascida em Brasília, ela vem de família mineira. Lá na casa dos parentes em Minas Gerais, a cozinha era o centro de convivência da casa. “Tanto meu avô quanto minha avó recebiam os netos com as tradicionais quitandas mineiras: biscoitos de polvilho, pão de queijo, broas de milho…”, recorda. A mãe e a madrinha de Adriana são cozinheiras de mão cheia e ela cresceu com o cheiro de bolo assando no forno preenchendo todos os cantinhos da casa. “Depois de adulta sempre gostei muito de cozinhar e de receber os amigos em casa e, quando nasceu meu filho, preparar coisas gostosas para ele era (e ainda é) um dos meus maiores prazeres”, conta.

Adriana é formada em artes plásticas e o gosto também pelas plantas e animais a levaram até a ilustração botânica. O ofício a ensinou a contemplar e observar detalhes que passam desapercebidos para a maioria das pessoas: como é divisão daquele caule, quando é a floração daquela árvore, os tons de verde, as sementes. “O tempo tem outra conotação quando você observa as plantas e os bichos ao seu redor e, além de tudo ser lindo, você se sente mais integrado com seus caminhos, as estações, a chuva, a natureza em geral”, explica.

Durante mais de 20 anos Adriana trabalhou como corretora de imóveis. Em 2012, o mercado estava muito fraco, ela tinha tempo de sobra e resolveu cursar Gastronomia. “Foi um novo mundo que se abriu; professores maravilhosos, amigos, panelas, fornos, livros de história, receitas… Foram dois anos incríveis”, relembra.

Quando terminou a faculdade, ficou pensando no que poderia fazer. Ela mora em uma casa com quintal grande, com pés de pitanga, amora, jabuticaba, laranja, limão, graviola, banana e mais uma porção de frutas, além de flores, ervas e temperos. “Sempre faço geleias e doces. Daí veio a ideia de juntar um pouco de tudo que eu gosto: a confeitaria, a ilustração, o jardim e as boas memórias da infância”, revela.

Dessa mistura surgiu a Lima – Flour and Flower. “Fiz um mix de farinha e flores para criar os doces. Lima é meu sobrenome (e também é fruta) e o subtítulo acabei deixando em inglês porque farinha e flor, em inglês, têm a mesma pronúncia”, explica.

O conceito de Consumo Consciente é aplicado de forma muito simples: obedediência à Natureza. “Além de não usarmos corantes artificiais, gordura hidrogenada, estabilizantes, conservantes etc., a gente respeita as estações do ano; ou seja, as frutas são frescas, sem agrotóxicos, as flores e ervas também e por isso muitas das tortas são sazonais, o cardápio vai mudando ao longo do ano”, comenta.

Quase todas as frutas das delícias da marca são produzidas no jardim de Adriana. “O que não temos aqui procuramos nos pequenos produtores da Vargem Bonita, que é uma colônia agrícola japonesa que fica ao lado da nossa casa”, diz.

Além disso, a Lima opta por manter um cardápio bem brasileiro: maracujá, côco, jabuticaba… “Essas escolhas, às vezes, nos causam alguns problemas, muita gente associa sofisticação com produto importado e me ligam pedindo torta com framboesa, mirtilo”, relata. Nesta época de Natal, por exemplo, muita gente procura a confeitaria para encomendar torta com cerejas. “Resolvi, então, adaptar ao meu estilo. Se vai ter cereja, que tenha também maracujá e pitanga na receita. Se vai ter figo, que seja com baba de moça”, conta.

As receitas da Lima são criações próprias da Adriana, que adapta a confeitaria clássica aprendida na faculdade aos produtos brasileiros. Ela adora usar ervas também nos doces: tomilho, manjericão, orégano, capim santo e experimentar esses perfumes fora do lugar onde nos acostumamos a encontrá-los.

“Mas também gosto muito de preparar as receitas dos meus avós do jeitinho que eles faziam. Conseguir fazer com que a minha ambrosia fique igual à da minha avó é um luxo!”, orgulha-se. Outro desafio é fazer os biscoitos do avô, cujas receitas não têm pesos ou medidas certas, são punhados, e punhado era o que cabia na mão dele com o punho fechado. “Cinco punhados de polvilho, um punhado de queijo e por aí vai. Imagina a ginástica que tive que fazer pra acertar essa receita? Foram vários erros até meu biscoito ficar igualzinho ao dele”, diverte-se.

A marca oferece bolos sem glúten e pretende criar opções sem açúcar para diabéticos. Os cardápios sazonais e as fotos das tortas estão na página da Lima no Facebook. “O cardápio fixo tem que ser solicitado por e-mail, porque na verdade ele não é fixo. Vai depender das frutas da estação”, finaliza. (Na galeria de fotos tem o cardápio de dezembro).

 

Um comentário

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