Clara Santos: uma viajante em busca da felicidade

#PessoasInspiramPessoas

O rosto angelical, os olhos verdes e espertos, o sorriso franco e arrebatador, a inteligência afiada e cooperativa e um monte de tatuagens escondidas por meias-calças coloridas. Essa é a lembrança que guardo de Clarice Silva dos Santos, a Clara, com quem trabalhei em uma dessas assessorias de comunicação da vida. Não foi por acaso que a escolhi para abrir a série Pessoas Inspiram Pessoas.

Clara, 46 anos, é gaúcha de nascimento e brasiliense de coração. “Moro em Brasília há 22 anos e é minha cidade. Amo Brasília! É para cá que quero voltar e continuar fazendo audiovisual”, afirma.

Ela acaba de se jogar em uma jornada em busca da felicidade. Sem dinheiro no bolso, uma mochila nas costas e a esperança na solidariedade humana são a bagagem dela. O projeto? Viajar sozinha pelo mundo afora para produzir um documentário sobre a felicidade, o Hapiness Documentary.

O gatilho para essa odisseia foi um diagnóstico de câncer, há quase quatro anos. Clara foi tomada por questões existenciais e passou a questionar a felicidade. “Até o resultado do tratamento dar certo, você trabalha com a perspectiva da morte. Mas, na medida em que o tratamento funcionava, eu comecei a pesquisar sobre felicidade e escrever o projeto”, recorda Clara, hoje curada.

O momento de crise pessoal deu forma ao projeto do Hapiness Documentary. Clara resolveu sair pelo mundo com uma câmera na mão para saber o que é felicidade para pessoas de diferentes sociedades, com todas suas diferenças e particularidades. De viagem ela entende, já morou na Inglaterra e na Espanha para estudar e é fluente em três idiomas.

Ao todo, foram dois anos de preparativos para colocar o pé na estrada, em outubro de 2016. Todas as manhãs, onde quer que esteja em sua viagem, Clara faz alongamento e um pouco de ioga, agradece ao Universo por ter escolhido ser jornalista e aprender tanto e pela coragem de fazer o documentário. “A mais feliz de todas sou eu, com certeza!”, gaba-se. Mas também pondera que ninguém é feliz o tempo todo, todos os dias e, muitas vezes, pensa em desistir. “Quando não tenho dinheiro ou onde ficar… Daí sempre acontece algo maravilhoso e as coisas fluem…”, confessa.

A viajante corajosa (tem que ter muito culhão para ser mulher e encarar essa estrada sozinha) diz não ter dúvida de que é uma pessoa melhor hoje do que quando começou o documentário. A cada entrevista uma surpresa maravilhosa. “Nem sempre as histórias são de felicidade, até porque para entender a felicidade é preciso entender sua antítese. São histórias inspiradoras de superação e positividade, de saber transformar o ruim em bom, de escolher a felicidade como caminho e não o contrário…”, narra.

Vegetariana desde criança, Clara sempre foi antenada com valores do Consumo Consciente, como a reciclagem, o combate ao desperdício e o respeito ao meio ambienteA experiência do documentário levou essa prática para um outro nível, bem mais hard. “Tenho que me privar de muita coisa, inclusive de comer. Não posso dizer que estou passando fome, mas com a falta de dinheiro, de patrocínio, eu tive que reduzir a comida para menos da metade”, relata.

Clara se deu conta de que o brasileiro médio come demais e com muito desperdício. “No Paraguai, Uruguai e Argentina, países onde já fiz o documentário, as refeições são bem menores: uma carne, uma salada e, às vezes, um pão”, compara. Por aqui, anualmente, são desperdiçados 41 mil toneladas de alimentos, segundo dados do World Resources Institute (WRI) Brasil, uma instituição de pesquisa internacional. Esse número coloca o nosso País entre os dez que mais perdem e desperdiçam alimentos no mundo. Essa informação foi divulgada durante o Sustainable Food Summit da América Latina, evento promovido pela Rede Save Food Brasil em junho de 2016, em São Paulo.

Além da comida, Clara reduziu roupas e sapatos e vive com o básico. “Ainda assim, minha mochila está pesada e eu provavelmente terei que me desfazer de mais coisas”, prevê. Ela levou consigo apenas o que já tinha, não comprou absolutamente nada novo. Reciclou camisetas usadas para colocar o nome do documentário. Leva coisas pelas quais não sente apego. Segue a busca pela felicidade com dois pares de tênis, um chinelo e uma sapatilha.

A mochila carrega ainda itens para higiene pessoal, pois assim como roupas e sapatos, Clara não tem recursos para comprá-los pelo caminho. “Está sendo ótimo perceber que, embora eu achasse que era consciente com relação ao consumo, não era tanto. Agora sou bem mais”, revela. Aliás, consumo é um dos maiores desafios dessa viajante. Ela simplesmente não tem como bancar supérfluos. Embarcou com R$ 1 mil no bolso e essa grana já se foi.

Essa situação a ensinou a não ter vergonha de pedir nem de aceitar ajuda. Há circustâncias, por exemplo, em que precisa abrir o jogo com o entrevistado de que não tem dinheiro para o transporte. Outra lição aprendida é o preconceito que existe com quem faz arte, com quem trabalha em algo não convencional, como o audiovisual. “A pessoa também precisa comer, vestir, se locomover, comprar equipamento etc. Enfim, é trabalho também”, destaca.

O perrengue existe, mas Clara afirma que cada pessoa entrevistada, cada país e cada cultura a permitem o exercício de respeitar as diferenças. A ensinou, inclusive, a deixar a vaidade um pouco de lado. “Eu cortei o cabelo curtinho para facilitar minha vida”, revela. Ela tem que comer e comprar apenas o necessário e sempre buscar as opções mais baratas para tudo que faz. “Depender da solidariedade das pessoas para ter onde ficar, comer e me locomover tem sido muito enriquecedor. Curso nenhum poderia me proporcionar tanto conhecimento externo e interno”, atesta.

Essa mulher inspiradora nos aconselha a pensar mais sobre a felicidade e não colocar condições para ser feliz. Para ela, condicionar a felicidade, por exemplo, à posses materiais, realização de atividades ou à companhia de outro alguém não tem a ver com felicidade. “Você tem que estar feliz consigo mesmo, gostar de você, aceitar as imperfeições e admitir não ser perfeito e buscar ser melhor. Eu falo que felicidade é igual ao pôr-do-sol, todos os dias acontece para quem queira apreciar”, encerra.

Ajude a Clara na busca pela felicidade

A Clara depende da solidariedade das pessoas para seguir na produção do Hapiness Documentary. Quem quiser contribuir pode fazer um depósito bancário em qualquer valor, oferecer patrocínio em troca de inserções da marca no filme, dar hospedagem e carona pelo mundo afora. “A pessoa ajuda muito me passando contatos, falando para pessoas de outros países para eu poder ficar, trocar trabalho temporário por hospedagem, comida e locomoção”, lista. Clara também está disponível para palestras em universidades, escolas e empresas. Neste dia 29 de dezembro de 2016, a viajante está em Buenos Aires. Até o dia 2 de janeiro ela tem pouso, mas depois dessa data precisa de um lugar tanto na capital quanto em outras cidades da Argentina. De lá ela seguirá para Chile e Bolívia. Depois? Aonde a felicidade a levar.

E você? Já parou para pensar no que faz você feliz?

Como ajudar

Banco Bradesco (237)
Agência: 0606-8
Conta-corrente: 0168346-2
Favorecida: Clarice Silva dos Santos
CPF: 621-921-160-04
Obs: De outro banco para o Bradesco, a doação pode ser feita via TED.

De outros países, por Western Union(Funciona como um depósito bancário. Existem lojas Western Union em vários países. Ao realizar o depósito, a pessoa precisa enviar o PIN para a Clara por email (happiness.documentary@gmail.com), que retira o dinheiro com o código e documentos.)

Hapiness Documentary nas redes

Blog: http://dianprabha.blogspot.com.br/
Youtube: Happiness Documentary
Facebook: Clara Santos
Twitter: @Happiness_Doc
Instagram: clarasantos6828
E-mail: happiness.documentary@gmail.com

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