Renata Amoras: pesquisa e amor para um mundo mais sustentável

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A jornalista e funcionária pública Renata Amoras, 57 anos, 31 deles em Brasília, desde que deixou a terra natal, Belém do Pará, encarou a questão do Consumo Consciente como um desafio intelectual. As mudanças radicais no clima – como aquecimento global, seca na Amazônia, tsunamis e enchentes catastróficas – são reflexo do comportamento humano ou do ciclo natural do planeta?

Como comunicadora, ela resolveu pesquisar como a informação de qualidade pode conscientizar e mudar comportamento de indivíduos em relação ao meio ambiente e é nossa personagem de Pessoas Inspiram Pessoas. Ela ingressou num programa de pós-gradução e propôs pesquisar sobre o atual modelo de consumo e a capacidade de regeneração do meio ambiente.

“Foquei a pesquisa nas camadas sociais mais elevadas, naqueles que ganham mais e, portanto, consomem mais, e talvez poluam mais”, explica. O estudo investigou o poder da imprensa de influir na formação de uma consciência coletiva e individual. “No que se refere a mudanças em prol do desenvolvimento sustentável ainda há muito por fazer. A imprensa, porém, pode vir a se tornar um instrumento eficiente e eficaz de mobilização social”, constata.

A pesquisa aguçou o ativismo de Renata e da família, todos interessados em praticar os três Rs da sustentabilidade: Reduzir, reutilizar e reciclar. “Uma das mudanças foi a redução de sacos plásticos do supermercado. Utilizo apenas para os produtos que molham, no mais coloco em caixas de papelão”, diz. A casa é bem arejada e iluminada, o que reduz gasto de energia. A fossa séptica foi trocada por um biodigestor. Os vidros e as latas para descarte são separados para facilitar a coleta. “Meu projeto para janeiro é construir uma composteira para utilizar na horta”, conta.

Outro despertar vivenciado pela Renata foi o artesanato. Há dois anos, na época do Natal, ela foi comprar presentes para a família e se deparou com preços altos e produtos descartáveis demais. Voltou para casa decidida a fazer os próprios presentes. Comprou uns tecidos e transformou em necessaires, sachês perfumados e enfeites pra casa.

Uma amiga viu os mimos e perguntou se estavam a venda. Junto com o apoio irrestrito das duas filhas e do marido, foi o incentivo para montar o atelier Cesto de Amoras. Mas ela não queria mais do mesmo nem apenas vender por vender. Preparou uma lista de produtos úteis e duráveis e que ao serem descartados não impactassem tanto no meio ambiente. A produção das bonitezas praticamente aboliu o plástico, só utilizado por insistência do cliente. O desperdício é praticamente zero. “Até retalhos eu utilizo. O que sobrava eu jogava fora, mas agora estou juntando para encher almofadas”, diz.

O artesanato tem um significado muito especial para a Renata. Há 4 anos, o marido Paulo foi diagnosticado com a doença de Alzeihmer. A notícia abalou toda a família e a tirou o chão. “O artesanato é uma terapia. É a válvula de escape do cuidador, que sofre mais que o paciente, porque esse não tem muita noção do que acontece com ele. Dia desses, lúcido, ele me ajudava a embalar umas necessaries e falou que queria ter saúde para sair vendendo minhas belezuras, olha que fofo”, derrete-se.

Dicas da Renata para praticar o Consumo Consciente

  • Separar garrafas e latinhas do lixo doméstico
  • Preferir materiais de construção de fontes renováveis (madeira é melhor do que metal)
  • Construir claraboias
  • Utilizar placas de aquecimento solar
  • Adotar coleta da água de chuva por cisterna
  • Reutilizar a água da máquina de lavar para regar as plantas ou lavar o chão
  • Cultivar uma horta orgânica (vale vasinhos de ervas para espaços pequenos)
  • Selecionar produtos de limpeza biodegradáveis
  • Avaliar criticamente a necessidade de cada compra
  • Reduzir o consumo de papel, água e energia

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