Oyá Cozinha Vegana: comida artesanal temperada com amor

Oyá Cozinha Vegana é um cantinho especial para experimentar alimentos livres de produtos de origem animal e sabores inusitados, como a coxinha de jaca. Lá, dificilmente você comerá algo que demore menos que dez minutos para ficar pronto, mas amor e gentileza saem rapidinho. A dica é visitar o espaço de coração aberto e com tempo para desfrutar de uma refeição com calma. O tempo máximo de espera é de 40 minutos, dependendo do prato e lotação da casa, poderá ser menor.

A cada dia, a equipe do Oyá se esforça para otimizar o atendimento, mas ainda assim o tempo que leva é tempo que leva. “Atualmente, as pessoas não conseguem mais conviver com a espera no preparo dos alimentos. Temos consciência que a escolha pelo artesanal, fresco e natural nos faz perder alguns clientes diariamente”, avalia Luciane Santos, 33, idealizadora do empreendimento vegano.

Lu Oyá é uma brasiliense que adora andar descalça, ama a natureza e sente-se feliz e plena ao cozinhar. Umbandista por afinidade, filha de Iansã (Oyá) com Xangô, ela escolheu prestar uma homenagem para sua ‘mãe de cabeça’ ao batizar o seu bistrô com a palavra em Iorubá (língua africana).

Lu foi auditora de uma multinacional por nove anos, mas nunca se encontrou como executiva. Há cinco anos, decidiu parar de comer animais. Por um momento, como muitas pessoas com dieta onívora, ela imaginou que a vida sem carne seria totalmente sem sabor e perderia seu enorme prazer de comer e cozinhar. Gulosa, começou a pesquisar e estudar receitas e alimentos que satisfizessem o seu prazer em se alimentar. Receitas que hoje compõem o cardápio do Oyá.

“As razões pelas quais as pessoas optam por uma dieta vegetariana são várias: ética, saúde, política, sensibilidade e amor”, relaciona Lu. No caso do Oyá, a escolha se deu em razão do amor aos animais. O café também evita o uso de soja, porque acredita que o consumo desse produto é um tipo de incentivo a outra forma de exploração que se une à exploração animal como grande vilão da devastação da natureza.

Sempre que possível, o café utiliza alimentos orgânicos, sustentáveis e oriundos de produção artesanal. Mas existem ingredientes-chaves na cozinha que não são encontrados nessas fontes certas épocas do ano. A equipe do bistrô faz um esforço semanal, quase diário, de coração, para comprar nos mais variados locais da cidade e tentar oferecer sempre os alimentos mais frescos e amorosos possíveis. “Mas trabalhamos sobretudo com honestidade e esse quesito não é negociável. Quando não encontrarmos, não será orgânico”, afirma.

A paixão por cozinhar começou quando Lu tinha 13 anos e a mãe a ensinou a fazer arroz. “Dizia que sabendo fazer pelo menos isso, poderia me virar com o resto e não ficar com fome”, recorda. Os dias que seguiram foram de experiências divertidas após a escola, e ela se apressava para chegar em casa e oferecer à mãe uma boa refeição para que ela tivesse tempo para um cochilo antes de retornar ao trabalho.

Aos 19 anos, um amigo a ofereceu um emprego diurno em seu restaurante e outro amigo surgiu com uma vaga em um café à noite. “Observando o prazer das pessoas em comer, a minha visão sobre alimentação transformou-se em puro amor e o desejo de proporcionar esse sentimento através da culinária, um sonho”, conta Lu.

O sonho, porém, foi adiado e Lu foi abduzida pelo mundo corporativo. Até que a irmã adoeceu precocemente. “Comecei a relacionar alimentação e doenças, estudar sobre a origem da comida nos dias atuais, transgênicos, a correria para alimentar-se no dia a dia, alimentação na rua, agrotóxicos, capitalismo, a pressa e o anseio pelo imediato, pronto e urgente”, relata.

Filha de goiana com paraense, Lu se apaixonou pela culinária nordestina. Por isso, muitas receitas do seu empreendimento refletem adaptações dos saboreios por aquelas bandas. O Oyá Cozinha Vegana oferece uma culinária artesanal, com cuidado de cada prato de forma única, com generosas doses de amor e atenção. “Não congelamos alimentos, a menos que seja pra evitar o desperdício ou por encomenda, e utilizamos o mínimo de industrializados possíveis”, atesta Lu.

A equipe é reduzida no espaço enxuto do café, que não permite que transitem mais do que três pessoas na cozinha, e é formada pela Lu (cozinheira), Fabiano, Érika e Michel (auxiliares de cozinha) e Guilherme (gerente e garçom). “E é difícil encontrar pessoas com tanto amor e disposição para estar ali dentro com a gente, colocando sua energia mais positiva durante o preparo”, observa.

A escolha dos parceiros e fornecedores do Oyá prioriza pequenos produtores locais e orgânicos. O objetivo da casa é, na medida do possível, comprar de quem faz. Atualmente, tem como fornecedores principais a Horta Encantada, que oferece insumos orgânicos e revenda de horta orgânica; o Cogumelos Musashi, que cultiva shimeji orgânico; e a Libertad Cervejas Artesanais, que revende IPA e Red Ale artesanal.

Da mesma forma que o bistrô respeita e não explora animais, explorar seres humanos está fora de cogitação. “Estabelecemos uma relação de troca harmônica não baseada apenas em venda das horas de trabalho. As pessoas acreditam na proposta do lugar e desejam contribuir espontaneamente com o que for necessário, inclusive ideias”, comenta.

A relação com os clientes é de puro afeto. O café é modesto e sem sofisticação, mas com uma equipe que busca um modelo não-convencional de comércio através do respeito mútuo e que privilegia as relações humanas. “Não acreditamos na máxima ‘o cliente tem sempre razão.’ Não acreditamos que pessoas possam desrespeitar pessoas apenas por que estão pagando por um serviço. Temos o compromisso de entregar alimentos com qualidade, a preço justo e sermos amorosos e respeitosos com todos e todas”, afirma Lu.

O compromisso com a sustentabilidade é levado a sério pelo Oyá, que trabalha com o mínimo de descartáveis possíveis, recicláveis ou não. A prática gira em torno da ideia de reduzir. O bistrô incentiva e promove campanhas para que as pessoas levem a embalagem para viagem. “Como medida de redução de danos, adquirimos um saquinho de papelão para embalar apenas alguns itens como coxinha, risole, quibe, entre outros. Para levar os demais pratos, adquirimos embalagens biodegradáveis que vão direto para a composteira ou lixo orgânico”, descreve.

O serviço de delivery do Oyá é feito de bicicleta. “Também oferecemos descontos para ciclistas que forem de bike para o Oyá. O desconto é de 5% sobre o total da conta”, informa Lu. O local não vende água engarrafada e fornece água filtrada, natural ou gelada. “Entendemos que água é um elemento essencial que não deveria ser comercializado. Além da comercialização da água incluir seu engarrafamento, gerando lixo plástico desnecessariamente. É uma questão política e de amor à natureza”, finaliza.

Serviço
Oyá Comida Vegana
CLN 307 Bloco B Loja 10– Asa Norte
(61) 9 8180-7455
oyacozinhavegana@gmail.com
Facebook: @cafeoya

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