Coletor menstrual e absorvente ecológico: opções em benefício do planeta

Junto com a primeira menstruação, a mulher automaticamente ingressa no clube de compras de absorventes. Ao longo da vida fértil, ela usa milhares desses descartáveis que substituíram as toalhinhas da vovó. Há uma variedade estonteante – colorida, teen, com abas, sem abas, com perfume, sem perfume, diurno, noturno, diário, internos e externos – desse produto nas prateleiras de farmácias e supermercados. A embalagem e o formato mudam, mas todos os tipos são altamente poluentes. Um único absorvente externo leva até 100 anos para ser decomposto pela natureza, já o interno tem outra composição e leva até um ano.

A primeira marca de absorvente descartável a desembarcar no Brasil, na década de 1930, foi a Modess, palavra que passou a ser sinônimo do produto. Os absorventes internos, O.B, chegaram na década de 1970. É inegável que a popularização do item nas necessaires das mulheres foi um marco, especialmente pela praticidade de não precisar lavar as bandagens usadas pelas antepassadas. Resta questionar se a praticidade compensa o assombroso rastro ecológico que seu uso vem deixando pelo planeta afora.

Uma mulher tem cerca de 450 ciclos menstruais ao longo da vida fértil e chega a usar 10 mil absorventes, o que gera 150 kg de descartáveis. Essa colossal produção de lixo – que demora um século para apagar os vestígios na natureza – tem sido questionada por muitas mulheres. Tanto que as toalhinhas da vovó estão de volta e ganharam o nome de absorventes ecológicos ou reutilizáveis.

Na versão moderna, o paninho é feito com tecidos inteligentes, impermeáveis e absorventes, podem ser lavados na máquina e tem até opção de camada seca. O uso não tem mistério e é muito parecido com o do absorvente descartável. Um dos fabricantes brasileiros, a Korui, oferece alternativas de tamanhos e usos: protetores de calcinha, absorvente mini, normal e noturno. Cada paninho custa, em média, R$ 20. (confira o serviço no final do texto)

Outra opção para reduzir o rastro ecológico das mulheres é o coletor menstrual, que curiosamente também foi criado na década de 1930. É uma alternativa sustentável, reutilizável e durável para as consumidoras que praticam o Consumo Consciente. O copinho de silicone hipoalérgico e antibacteriano é ajustável ao corpo e coleta o sangue da menstruação. Em uma sociedade na qual as propagandas de absorventes colorem o sangue menstrual de azul, é digna de nota a popularização desse produto.

Assim como o absorvente ecológico, o copinho é bom para o planeta e para o bolso. Por alto, uma mulher gasta, em média, R$ 100 por ano com absorventes descartáveis. Já os coletores menstruais têm preços, no Brasil, que giram em torno de R$ 80. Os copinhos são reutilizáveis e podem durar entre cinco e dez anos. O jeito mais fácil de comprar é pela internet (confira o serviço no final do texto). O tamanho varia e algumas marcas oferecem até quatro tamanhos, mas a maioria vende apenas dois: um para a mulher que já teve filhos e o outro para quem não tem.

As adeptas dos coletores menstruais têm idades diversas e a coluna conversou com algumas delas. Todas são árduas defensoras do produto, seja pela questão ambiental ou pela possibilidade de conexão com o próprio corpo. Como a empreendedora Luciane Santos, 33, que usa o copinho há cinco anos. Ela é uma entusiasta da alternativa aos modess e, há dois anos, deixa disponível para venda na sua loja, o Oyá Comida Vegana. “Para que as pessoas conheçam e tenham fácil acesso a esse tipo de mercadoria”, explica.

 

A vida de Lu mudou com o uso do coletor menstrual. Com um histórico complicado de menstruação, ela considerava o sangramento desnecessário e mal-cheiroso, além de sofrer com muitas cólicas e encarar uma TPM que a assombrava durante duas semanas por mês. Aos 23 anos, optou por um anticoncepcional para interromper os ciclos. Com o nascimento do primeiro filho, ela retomou o uso da pílula, mas não se adaptou e sofreu com vários desequilíbrios hormonais.

A empresária conheceu o copinho através de uma amiga, e à época, já havia parado de comer carne e desenvolvido consciência ambiental. Ela admite que os três primeiros ciclos com o coletor foram de adaptação para aprender a colocar e não vazar. “Usar o coletor também restabeleceu minha conexão comigo mesma e com o sagrado feminino. Me permitiu perceber o meu corpo e meu ciclo de uma forma diferente. Eu simplesmente amo”, conclui.

A estilista da Miina Flávia Martins, 44, também é usuária feliz de coletor. Ela foi apresentada ao produto pela irmã há cerca de cinco anos, mas só testou dois anos depois. A principal motivação foi o incômodo em usar o modess: preocupação em trocar, levar na bolsa, não marcar na roupa, não poder ficar sem calcinha em casa e para dormir e por aí vai. O aspecto ambiental também pesou. “Quando eu morrer, o primeiro absorvente que eu usei ainda estará aqui, poluindo”, observa.

A jornalista Ana Paula Ferraz, 40, engrossa as fileiras das fãs do copinho, que utiliza há dois anos. Depois de alguns anos sem menstruar, quando as regras voltaram ela sentiu um enorme desconforto tanto com o absorvente externo quanto com o interno. Foi em busca de uma alternativa e encontrou o coletor menstrual. “Fiquei um bom tempo acompanhando um grupo nas redes sociais até me decidir. Não teve inicialmente uma motivação ecológica, mas isto fez toda diferença na hora da decisão. Hoje, não entendo por que demorei tanto”, comenta.

A publicitária Juliana Testa, 37, está decidida a abolir o uso de absorventes descartáveis e se prepara para testar o copinho no próximo ciclo. “Tenho alergia a absorventes. Além disso, prevejo economizar dinheiro e, o melhor, ajudar o planeta reduzindo o meu lixo”, lista.

Dicas para usar o coletor menstrual

O coletor menstrual é à prova de vazamento quando corretamente posicionado. Não existem contraindicações, mas não é aconselhável para quem nunca teve relação sexual. Há risco de rompimento do hímen durante a colocação ou retirada do objeto. Também não é aconselhado o uso durante o puerpério, logo após os primeiros dias de dar à luz.

A colocação do coletor assemelha-se à de um absorvente interno. O copinho deve ser dobrado e inserido na vagina, sem necessidade de empurrá-lo até o fundo como é o procedimento para colocar o absorvente interno. Quando aplicado corretamente, o coletor se abre e faz um barulhinho. (Confira o vídeo logo abaixo que explica didaticamente como colocar o coletor menstrual.)

A higienização do produto deve ser feita com água fria e sabão neutro sempre que for retirado. A cada ciclo, o ideal é limpar com água fervente. O tempo indicado para esvaziar o coletor depende do fluxo menstrual de cada mulher; se for intenso, a cada seis horas; e até 12 horas para fluxo normal.

Uma das dúvidas que giram em torno do copinho é a possibilidade de contrair candidíase ou outras doenças com o uso do produto. Como fungos gostam de calor e umidade, se a mulher for pré-disposta à doença, não fizer a higienização do coletor corretamente, for para a piscina e ficar horas com o biquíni úmido, pode correr o risco. Caso contrário, o uso do coletor não causa infecções.

Outro mito que cerca a menstruação é o odor forte. Com o coletor, o sangue não entra em contato com algodão ou oxigênio e, por isso, o cheiro forte é bem menos intenso se comparado ao exalado com o uso de absorventes descartáveis. Ah, bom lembrar: o copinho não interfere no xixi.

Pode ser que as primeiras experiências com o coletor sejam incômodas, mas depois de pegar o jeito será mais confortável do que os absorventes descartáveis. Quem usa o copinho pode praticar esportes sem problemas. Vale lembrar que no caso de fluxo intenso, é aconselhável optar por esporte com menor impacto.

A haste do coletor tem entre 7cm e 9cm e serve para retirá-lo da vagina. Até achar o tamanho ideal, a mulher terá que cortar essa parte para não incomodar quando estiver dentro do corpo. Pode dormir com o copinho sem medo. O produto não interfere na lubrificação vaginal nem altera o PH da vagina. Não custa lembrar: o uso do coletor menstrual é pessoal e intransferível.

O grupo fechado Coletores Brasil reúne mulheres que se interessam sobre o assunto e compartilham experiências. Basta enviar a solicitação para participar e aguardar o retorno das moderadoras da comunidade.

Este vídeo ensina como inserir o coletor:

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