CSA: Comunidade que Sustenta a Agricultura

Todas as quartas-feiras, das 17h45 às 19h15, um grupo de 15 famílias tem o compromisso de passar pela Escola Wardorf Moara, na 703 Norte, para buscar os alimentos hortifrutis que vão abastecer a despensa ao longo de sete dias. Esta semana, a cesta de orgânicos terá alfaces americana e roxa, rúcula ou agrião, couve-chinesa, espinafre, brócolis, alho-poró, cebolinha, salsa ou coentro, vagem, limão taiti, banana nanica e mamão formosa.

Uma dessas famílias é a do casal Aline França, 33, doula e arquiteta, e Fabiano Ribeiro, 35, agrônomo e funcionário público. Eles têm duas filhas, de 6 anos e 1 ano, e pagam um valor mensal ao longo do ano para receber semanalmente produtos orgânicos, fresquinhos e produzidos em uma chácara no Núcleo Rural Lago Oeste. A relação deles com esses alimentos vai além do consumo, pois eles participam de toda a produção, desde a seleção do que será plantado até a colheita. Eles são coagricultores de uma Comunidade que Sustenta a Agricultura (CSA).

“É uma forma de consumir alimentos orgânicos respeitosa com o meio ambiente e com o agricultor”, comenta Fabiano. “E uma vivência do cotidiano e dos ciclos da natureza que consideramos importante para as nossas filhas”, complementa Aline. Ambos consideram o modelo de CSA vantajoso financeiramente, principalmente se comparado aos preços praticados pelos mercados tradicionais.

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A tecnologia social cujo nome vem da expressão em inglês Community Supported Agriculture é um modo diferente de encarar a produção e o consumo de alimentos. O modelo apoia os produtores locais e promove espaços de interação entre as pessoas na cidade e no campo.

A CSA Bindu, da qual a família de Aline e Fabiano é coagricultora desde a fundação, tem como agricultores o casal Ximena Moreno e Marcos Trajano. Ela é chilena, médica-veterinária e mestra em gestão ambiental e mora há oito anos no Brasil. Ele é médico e trabalha com medicina integrativa na rede pública do DF. O cultivo orgânico de alimentos diversos é feito na chácara em que moram, no Lago Oeste.

Criada em setembro de 2016, a CSA Bindu está com 15 cotas em aberto para interessados em desempenhar o papel de coagricultor. Os que aderem a essa forma de custeio de produção passam a colaborar para o desenvolvimento sustentável da região, valorizar a produção local e conhecer de perto de onde vem o próprio alimento.

Da cota mensal de R$ 300 paga pela família de Aline e Fabiano, R$ 290 custeia a produção – mudas, sementes, insumos, água, energia, transporte, salário do agricultor e de funcionários etc. – e R$ 10 patrocina iniciativas para divulgar a tecnologia e formar gratuitamente agricultores de baixa renda em técnicas de manejo sustentáveis. Esse suporte técnico e institucional é oferecido pela CSA Brasília e pela CSA Brasil, entidades sem fins lucrativos que são mantidas por meio de doações.

 

“A CSA é uma mudança de paradigma. Tanto o excedente da produção como os prejuízos são compartilhados. É mais do que uma compra de alimentos, pois os coagricultores são incentivados a participar de todas as etapas da produção”, explica a agricultora Ximena.

Um dos principais insumos para criação de uma CSA é a confiança. O agricultor apresenta todas as informações sobre os custos e meios de produção. Esses custos são divididos em cotas mensais entre os coagricultores, que passam a financiar a produção. A comunidade paga antecipadamente pelos alimentos produzidos e, dessa forma, o custo individual de cada tipo de alimento deixa de ser relevante. O que importa é a produção como um todo e os aspectos necessários para sustentar o tipo de agricultura que a comunidade deseja, entre eles as necessidades dos agricultores, as tarefas de organização da comunidade e os riscos associados à produção.

Na hora da colheita, o alimento já está pago. Sem atravessadores ou risco de não vender a produção, o agricultor pode se dedicar integralmente ao cultivo. Os alimentos são distribuídos entre os coagricultores e a entrega é realizada semanalmente no ponto de convivência.

Uma cota prevê aproximadamente 10 itens – folhas, raízes, legumes, flores e frutas. A CSA Bindu, por exemplo, ultrapassa esse limite semanal e chega a compor cestas com 15 itens. O valor da cota pode variar em cada comunidade, pois depende dos custos de produção e do número de coagricultores envolvidos. Além dos alimentos cultivados, outros produtos complementares como pão, ovos, queijos, mel e o que mais a comunidade for capaz de apoiar e desejar sustentar podem fazer parte da cesta semanal.

Vale destacar que uma CSA não é um sistema de compras coletivas de orgânicos, nem um serviço de entrega de cestas e muito menos uma cooperativa de produção. A CSA funciona a partir do compromisso entre agricultor e coagricultores por um período determinado, geralmente seis ou doze meses, no qual dividem tarefas de apoio da comunidade, como o cuidado com os pontos de convivência, a comunicação no grupo e o controle financeiro.

Histórico –  No Brasil, o conceito de CSA foi um dos temas favoritos dos participantes do Fórum Mundial Social de 2011, realizado em Porto Alegre (RS). A tecnologia foi considerada promissora e passou a ser aplicada em São Paulo naquele mesmo ano. Em seguida, se espalhou por mais seis estados e, em 2016, chegou a mais de 60 comunidades pelo país afora.

No Distrito Federal, os grupos são congregados pela CSA Brasília, que deu os primeiros passos em 2012. Naquele ano foram realizadas experiências iniciais com grupos de amigos permacultores na Chácara Toca da Coruja, no Lago Oeste. Àquela época, foram feitos os primeiros plantios e encontros de diálogos sobre como implantar uma CSA. Em 2017, o Distrito Federal chega a 20 CSAs.

Mundo afora, há experiências em países tão diversos quanto Japão, Estados Unidos, Cuba, França, Marrocos, China, Portugal ou Mali, em que grupos de pequenos agricultores familiares e de consumidores têm criado comunidades em torno de alimentos cultivados localmente, baseadas em princípios de ajuda mútua, compartilhamento dos riscos e tarefas coletivas.

Os nomes atribuídos a cada grupo são diversos – CSA (EUA e Brasil), TeiKei (Japão), AMAP – Association pour le Maintien de l’Agriculture Paysanne (França), RE.CI.PRO.CO (Portugal) e ASC (Canadá). Todos compartilham da mesma essência e procuram reverter o fluxo de abandono das zonas rurais, além de promover a autoestima das pessoas interessadas em lidar com a terra, numa perspectiva socioeconômica integrada com a cidade.

Comunidades da CSA Brasília

CSA Barbetta
Inauguração:16 de março de 2015
Ponto de Convivência: Restaurante Girassol (409 Sul), FEPECS (501 Norte) e Jardim Botânico (Lago Sul)
Agricultor: Idalércio Barbetta
Local de produção: Tororó
Contato: csabarbetta@gmail.com

CSA Toca da Coruja
Inauguração: 16 de junho de 2015
Ponto de Convivência: 703 Norte Bloco F Casa 25
Agricultores: Andrea Zimmermann e Fabio França
Local de produção: Lago Oeste
Contato: csadatoca@gmail.com
http://csadatoca.blogspot.com.br 

CSA Aldeia do Altiplano
Inauguração: 5 de agosto de 2015
Ponto de Convivência: Aldeia do Altiplano Leste
Agricultora: Fabiana Peneiro
Local de produção: Altiplano Leste         

CSA Batata Doce
Inauguração: 17 de fevereiro de 2016
Ponto de Convivência: 412 Norte
Agricultor: Gilmar Souza
Local de Produção: Planaltina
Contato: csabrasilia.batatadoce@gmail.com

CSA Girassol
Inauguração: 13 de março de 2016
Ponto de Convivência: Horta Comunitária Girassol Morro Azul (São Sebastião)
Agricultores: Hosana, Zelia, Geraldo e Luiz
Local de produção: Horta Comunitária Girassol Morro Azul (São Sebastião)
Contato: csa.girassol@gmail.com

CSA Cultivida
Inauguração: 14 de março de 2016
Ponto de Convivência: Restaurante Piauíndia (Vila Planalto), Nutrichef (CA Lago Norte), Restaurante Bhumi (113 Sul)
Agricultor: Maurício da Silva
Local de produção: Santa Maria
Contato: csa.cultivida@gmail.com

CSA da Florestta
Inauguração: 13 de maio de 2016
Ponto de Convivência: Budhata (Av. Castanheiras, Laguna Mall – Águas Claras)
Agricultora: Gisely Coité
Local de produção: Gama
Contato: csadaflorestta@gmail.com

CSA Jardim de Gaia
Inauguração: 13 de junho de 2016
Ponto de Convivência: Restaurante Girassol (409 Sul)
Agricultor: Rossellis
Local de produção: Tororó          

CSA Bindu
Inauguração: 14 de setembro de 2016
Ponto de Convivência: Escola Wardorf Moara (703 Norte)
Agricultores: Ximena Moreno e Marcos Trajano
Local de produção: Lago Oeste
Contato: chacarabindu@gmail.com

CSA São João
Agricultores: Guilherme e André
Local de produção: Lago Oeste

CSA Doce Vida
Inauguração: 13 de outubro de 2016
Ponto de Convivência: Escola Vivendo e Aprendendo (603 Norte)
Agricultores: Vanessa e Edson Sousa (Aprospera)
Local de produção: Assentamento Ozieal Alves (Aprospera)
Contato: csadocevida@gmail.com

CSA Esperança
Inauguração: 1o de novembro de 2016
Ponto de Convivência: Padaria Pão de Grão (SHIN CA 05 Bloco N1)
Agricultores: Deonei e Elisândia (Aprospera)
Local de produção: Assentamento Ozieal Alves (Aprospera)
Contato: csaesperancadf@gmail.com 

CSA Brotos D’Água
Inauguração: 1o de novembro de 2016
Ponto de Convivência: Adasa (ao lado da antiga Rodoferroviária)
Agricultores: Inês, Sandro e Dona Zezé (Aprospera)
Local de produção: Assentamento Ozieal Alves (Aprospera)
Contato: financeirocsa@gmail.com 

CSA Bela Vista
Inauguração: 1o de novembro de 2016
Ponto de Convivência: Adasa (ao lado da antiga Rodoferroviária)
Agricultores: Wiliam e Elisangela (Aprospera)
Local de produção: Assentamento Ozieal Alves (Aprospera)
Contato: financeirocsa@gmail.com 

CSA Madre Terra
Inauguração: 1o de novembro de 2016
Ponto de Convivência: Escola Vivendo e Aprendendo (603 Norte)
Agricultores: Dorvalina e Pedro (Aprospera)
Local de produção: Assentamento Ozieal Alves (Aprospera)
Contato: csamadreterra@gmail.com 

CSA Verde que ter quero Verde
Inauguração: 7 de dezembro de 2016
Ponto de Convivência: Praça da 706 Sul
Agricultor: Ronaldo Wolf
Local de produção: Lago Oeste
Contato: csaverdequetequeroverde@gmail.com

CSA Sonho de Deus
Inauguração: 20 de dezembro de 2016
Ponto de Convivência: Instituto Sociedade, População e Natureza (510 Norte)
Agricultor: Sebastião dos Santos
Local de produção: Assentamento Ozieal Alves (Aprospera)
Contato: (61) 99341-9204 – Isa

CSA Veredas
Em formação
Ponto de Convivência: Sede do PSOL (SCS Q 5)
Local de produção: Assentamento Canaã do MST (Brazlândia)
Contato: (61) 98627-0590 – Flávio

CSA Colmeia Integrar
Em formação
Ponto de Convivência: SEMA (511 Norte e Sudoeste)
Agricultores: Nelcy, Dona Maria e Gabriel (Aprospera)
Local de produção: Pipiripau e Taquara (Aprospera)
Contato: (61) 99983-6001 – Nelcy

CSA Pé Na Terra
Em formação
Ponto de Convivência: SEBRAE-DF (SIA e Asa Norte)
Agricultores: Louise e Diogo, Dawn e Daniel
Local de produção: Pipiripau (Aprospera)
Contato: agroflorestabsb@gmail.com

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