Fazenda Cicinha: leite de vacas tratadas com carinho e respeito

Na Fazenda Cicinha, localizada no Novo Gama (GO), as vacas são as estrelas e recebem cuidados com carinho e zelo. Talvez seja esse um dos segredos para o sabor sensacional dos laticínios da marca, que remete à infância dos privilegiados que experimentaram a rotina rural. (Eu provei e adorei o leite. O risco é que é tão gostoso que depois de degustá-lo vai ficar difícil engolir os leites comuns vendidos no mercado.)

O fazendeiro Fernando Torres Lucio, 50, é quem dita as regras do lugar. Graduado em análise de sistemas, com duas pós na área, ele herdou a propriedade e o amor pela terra do pai, Caio Torres, fundador da fazenda que morreu em 2016.

A propriedade de 42 hectares abriga um rebanho de 43 vacas da raça Jersey, 21 delas lactantes. A criação delas é semiconfinada, ou seja, andam livres pela propriedade, mas não circulam por algumas áreas específicas, como a mata de preservação, nascentes e beiras de rio.

Na Fazenda Cicinha, o trato com os animais é levado a sério e feito de tal forma que as bichinhas tenham o mínimo de estresse. Os funcionários que lidam com as vacas amam o que fazem e as tratam com todo o carinho e respeito. “Fica aqui meu agradecimento ao Jecivaldo e sua esposa, Dona Luciara”, reconhece Fernando.

Tudo o que as vacas da Fazenda Cicinha comem é produzido no local com controle rígido de qualidade e quantidade. “O milho, o capim e até o farelo de soja são produzidos dentro da propriedade. Assim, garantimos que não haja resíduos de indústria na dieta dos animais, o que garante que os animais adoeçam menos e, com isso, produzam um leite de melhor qualidade”, atesta o fazendeiro.

As vacas da Fazenda Cicinha seguem uma rotina programada. Diariamente, às 5h30, elas são conduzidas à sala de espera, equipada com ventiladores e borrifadores de água com o único objetivo de proporcionar conforto térmico para elas. “Quando o tempo está muito quente, os animais são molhados e ventilados três vezes por dia durante 30 minutos”, descreve Fernando.

Depois de tomar a fresca, as bichinhas são ordenhadas mecanicamente, processo liderado pela Dona Luciara. A opção pelo método mecânico se deu para reduzir os riscos de machucar a vaca, melhorar a qualidade do leite e evitar contaminação de um animal para o outro. Os equipamentos de ordenha mecânica da Fazenda Cicinha passam por manutenção preventiva até três vezes por ano.

“Tanto a ordenha manual como a mecânica podem machucar o animal, basta trabalhar mal. Tive a infelicidade de conhecer uma pessoa que conseguiu inutilizar três das quatro tetas de uma vaca, tamanha a força que ele aplicou durante a ordenha. Imagina a dor que esse animal sentiu… Apenas mulheres podem imaginar e, justamente por isso, a ordenha na Cicinha é conduzida por uma mulher”, explica Fernando.

Ordenhadas, as vacas vão direto para o pasto e se refastelam com os três tipos de capins irrigados cultivados na propriedade – tifton, jigs e zuri, todos com alto valor nutritivo. Por volta das 10h, elas passam novamente pela sala de espera para mais uma sessão de banho e ventilação. Seguem para o cocho, onde são alimentadas com um concentrado de milho triturado, sal para ruminantes leiteiros e farelo de soja. Ao terminar a refeição, descansam até a hora de voltarem para a ordenha da tarde.

O leite produzido na Fazenda Cicinha, embora tenha um sabor muito próximo ao que sai das tetas das vacas, não é cru. “Mesmo porque o leite cru não pode ser comercializado desde 1970 no Brasil”, informa Fernando. O leite passa pelo processo de pasteurização lenta que tem, basicamente, duas funções: eliminar mais de 99% das bactérias nocivas que podem existir no produto, preservando toda a parte viva que ajudará na digestão humana; e aumentar o tempo de estocagem.

A Fazenda Cicinha não é apenas criadora de gado leiteiro. Há a preocupação de manter as áreas de reserva ambiental da propriedade da melhor forma possível. Além disso, o local tem implantado um sistema de barraginhas para realimentar o lençol freático. O projeto fez com que as nascentes da propriedade voltassem a verter água em abundância. “Paralelo a isso, estamos iniciando a implantação de uma agrofloresta destinada à produção de frutas e também à realimentação desse mesmo lençol freático”, antecipa Fernando.

Ao contrário dos grandes laticínios, em que leites de vários fornecedores são misturados para a produção, a Fazenda Cicinha utiliza apenas o que o seu rebanho de gado leiteiro produz. Assim, é possível assegurar a qualidade e, principalmente, a rapidez no tempo entre a ordenha até o início do processamento e envase do leite, ou fabricação do queijo, o que aumenta ainda mais a qualidade do produto.

“Comercializamos apenas o leite produzido dentro da fazenda, o que torna o produto muito mais confiável para nós e nossos consumidores. Com isso, podemos garantir que o leite fornecido vem de vacas com alto padrão genético e de sanidade a toda prova”, garante Fernando.

Os laticínios da Fazenda Cicinha – leite 100% integral e puro, queijo stracchino (frescal mais pastoso, com pouco sal e sem conservantes) e ricota cremosa (sem conservantes) – são vendidos na Mercearia Colaborativa (412 Norte); na Feira de Orgânicos de Sobradinho (Quadra 8); no Empório Lago Oeste (BR 020) e no Café com Feira (Lago Sul).

Serviço
Fazenda Cicinha
Zona Rural do Novo Gama
(61) 98122-0050
fazendacicinha@gmail.com

Um comentário

Deixe uma resposta