Shitake Caipira: cogumelos orgânicos cultivados em Olhos D’Água

A Shitake Caipira produz de 15 kg a 20 kg de cogumelos orgânicos por semana e a quantidade não consegue atender a todos os interessados. O cultivo é feito em parte do quintal de 2 mil mde uma casa localizada no povoado-sede do distrito Olhos D’Água, do município goiano de Alexânia, que fica a 100 km do Distrito Federal.

O empreendimento é tocado há dois anos por Áurea Lúcia Maia Queiroz, 61, e o sócio, Valdecy Batista de Matos, 44, o Dete. “Desejei cultivar shitake há mais de 15 anos, quando visitei o cultivo pioneiro de um velho amigo, em Olhos D’Água, onde voltei a morar quando me aposentei, em 2010”, conta Áurea.

Já o sócio, Dete, trabalhou no cultivo de cogumelos do amigo da hoje sócia durante 13 anos. Ele resolveu sair da vida isolada na chácara onde trabalhava e foi em busca de oportunidade como autônomo no povoado. Áurea o contratou para serviço de pedreiro em reformas e restaurações e, depois, como zelador dos cultivos que mantinha no quintal de casa.

Com o tempo, Dete propôs iniciar o cultivo de shitake para o consumo da família de Áurea e a experiência foi um sucesso. Os sócios ficaram motivados a empreender nesse ramo: ela cedeu o espaço e o capital e, ele, a expertise. “Contou muito também a nossa completa afinidade com o processo de produção utilizado por ele e suas repercussões socioambientais diretas”, recorda.

Os cogumelos são cultivados em toras de mangueiras, uma tecnologia inovadora desenvolvida com sucesso por Dete e companheiros há mais de 15 anos. O mais comum é que essa modalidade de cultivo seja feita em eucaliptos. A madeira dos pés-de-manga mostrou-se mais produtiva para o shitake do que a de eucaliptais. “Essa técnica já está sendo replicada em Brasília por alguns raros produtores de shitake”, informa Áurea.

Para obter a madeira onde se desenvolvem os cogumelos, o Shitake Caipira realiza, gratuitamente, poda de árvores dos quintais e chácaras nos arredores do povoado a pedido de vizinhos. Só são realizadas podas de correção da copa, os cortes rasos são recusados. Os pés-de-manga, informa Áurea, depois de podados demoram muitos anos para voltar a dar frutos. “Temos produzido mudas de mangueiras para replantio”, conta.

O shitake é uma opção para a dieta de pessoas interessadas em consumir menos carnes sem abrir mão de proteínas. Outra vantagem, sob o ponto de vista ecológico, é que o seu cultivo ocupa menos espaço do que o de animais e produz menor impacto ambiental.

A madeira descartada do cultivo do Shitake Caipira é utilizada em compostagem que aduba a horta mantida no local; a água, reutilizada na irrigação da horta e outros plantios – café, mandioca, árvores frutíferas e jardim ornamental.

A modalidade de cultivo da Shitake Caipira utiliza como insumos apenas madeira e água limpa e pura, preferencialmente do poço do quintal, livre dos agentes de tratamento da água oferecida pela rede pública de abastecimento. “Nosso cogumelo não demanda nem adubação, nem pesticidas”, garante Áurea.

Os cogumelos da Shitake Caipira são vendidos diretamente para o consumidor. “Nos responsabilizamos pessoal e diretamente pela qualidade do produto e informações que oferecemos”, atesta Áurea. Para isso, a empresa utiliza mercados locais e próximos e veículos pequenos, de baixos consumo de combustível e desgaste das vias. “Chamamos nossos produtos de comida que não andou de caminhão”, revela.

Shitake Caipira também tem um viés social. A cada plantio – atividade de semeadura das toras – a empresa emprega, pelo menos, um aprendiz para contribuir com a formação e a multiplicação de mão de obra e incentivo à produção de cogumelos.

Em Brasília, os cogumelos da Shitake Caipira estão à venda em feiras de produtos naturais e na Mercearia Colaborativa (412 Norte).

Serviço
Shitake Caipira

(62) 99636-5903

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