Sarah Nascimento: desacelerar para reduzir a pressão

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“A mulher de 40 é a felicidade de não ter sido.

É a felicidade daquilo que deixou para trás,
daquilo que negou, daquilo que viu que era dispensável,
daquilo que percebeu que não trazia esperança”
Fabrício Carpineja

Conheci a Sarah Nascimento, 40, num dia em que ela transbordava de orgulho e determinação. O cardiologista dela havia acabado de suspender os remédios de controle de hipertensão. A jornalista e coach de realização pessoal faz parte da estatística da Organização Mundial da Saúde que aponta que um em cada três adultos do mundo sofre de pressão alta; no Brasil, esse número chega a 22,7% da população adulta.

Ela se descobriu com pressão alta há dois anos, quando as dores de cabeça frequentes a levaram a procurar um médico. “Eu percebi que o modo como eu vinha lidando com a minha vida estava me adoecendo”, recorda. Além da hipertensão, Sarah também tinha gastrites recorrentes. Prestes a fazer 40 anos, entrou em um processo de questionamento sobre a maneira que conduziria a segunda metade da vida e quanto tempo teria se não mudasse seus hábitos.

O susto deu início a um processo contínuo de autocuidado que só trouxe benefícios para Sarah. As primeiras mudanças foram os hábitos alimentares. Em nenhum momento, porém, ela fez uma ruptura radical. “Fui deixando de comer embutidos e aprendendo a olhar rótulos para ver taxas de sódio e me decidir pela compra com base também nesse critério.”

Ela passou a frequentar restaurantes vegetarianos, o que foi uma grande mudança, pois até os 20 anos de idade mal comia verduras. Acabou deixando de comer carne vermelha e frango. Há algum tempo já não comia de carne de porco. Ainda come peixe e frutos do mar, ovos e derivados do leite, mas sem excesso.

“Só o doce não mudou. Adoro sorvete! O segredo, pra mim, é comer o que se gosta, com moderação e observando se há muita gordura ou sal. Shoyo [molho de soja], por exemplo, tão bom, é quase sal líquido. Tem muito sódio!”, alerta. 

No lado emocional, foi cuidar de entender os porquês da hipertensão. “Como o nome facilmente indica, ela fala da sobrecarga do coração para bombear o nosso sangue, do excesso de pressão sobre si mesmo”, descreve. É como se a pessoa precise estar sempre armada, pronta para se defender de alguma ameaça. Ela, que sempre foi independente e autorresponsável, tinha tendência de guardar os sentimentos. “Pra não explodir eu guardava, guardando, eu explodia”, reflete.

Sarah encontrou a asthanga ioga, o reiki e a meditação que dividem a vida dela em antes e depois. “Essas práticas milenares nutrem, e unem, corpo, mente e alma. Comecei a ser menos levada pelas histórias e medos geradores de tensão, angústia e ansiedade produzidos pela mente agitada”, revela. O silêncio e a observação da respiração reduzem a atividade mental, oxigenam o cérebro, produzem novos neurônios. Com isso, a pressão sanguínea cai, o corpo agradece e produz serotonina e dopamina, ou seja, motivação e felicidade. Até o medo de nadar, bloqueio de uma vida, ela perdeu.

“A cada vez que eu voltava ao médico para refazer os exames, eu sabia que os resultados iriam refletir o meu bem-estar. E assim foi. O médico foi substituindo os remédios, revendo dosagens, até tirar tudo”, relata Sarah.

Ao se voltar para o autoconhecimento, Sarah se conectou com o essencial: a qualidade do relacionamento consigo mesma, com os outros e com o mundo. Essa expansão de consciência se refletiu em um consumo mais consciente e as compras por impulso para compensar ansiedade, tristezas, vazios existenciais foram eliminadas. “Eu não meço mais o meu valor pelo que tenho, mas pelo que eu sou. Cuidar de mim é a minha prática mais sustentável.”

Faz parte do cotidiano de Sarah ir à feira comprar alimentos frescos, produzidos localmente. Ela adora brechós e produtos reciclados. Isso não reduziu o gosto por conforto e tecnologia, mas com moderação. Ela pesquisa e planeja a compra de itens mais caros. Mora em Águas Claras e prefere deixar o carro parado e andar a pé nos fins de semana.

Dicas da Sarah para uma vida com menos pressão

  1. Respire, desarme! Dedique-se ao autoconhecimento. Não é possível mudar o que não se compreende e saúde depende do conhecimento dos nossos padrões de comportamento, das nossas emoções.
  2. Medite! Meditação não é religião. É a prática de dedicar minutos do seu dia para focar sua atenção na sua respiração, ajudando seu corpo a voltar a funcionar em um estado natural.
  3. Tenha uma alimentação saudável. Cortar a carne, como eu fiz, é um caminho, mas isso é uma escolha muito pessoal. O importante é reduzir o sal, ter uma alimentação natural variada, o menos industrializada possível. Uma coisa é alimento, outra é produto industrializado…
  4. Esteja sempre sendo acompanhado por um médico, use os remédios nos horários certos. Faça regularmente os exames.
  5. Faça alguma atividade física que lhe dê prazer. Tudo o que é obrigatório gera estresse, irritabilidade, aumenta a pressão… Se nenhuma lhe agrada, pergunte-se como pode passar a gostar. Motive-se pelos benefícios!
  6. Impossível não falar sobre evitar álcool, cigarro, drogas…
  7. Concentre-se no que mais importa e faça uma coisa de cada vez. Não há vantagem em ser multitarefa e ansioso. Faça menos, mas faça melhor!
  8. Doe-se! Doe seu tempo, seu amor, seu carinho aos outros, conhecidos ou não. Não espere para receber. Isso gera frustração, tristeza… O que mais doamos nos chega na mesma medida.
  9. Pegue leve com você! Não se exija, não se puna, não se martirize! É importante sermos responsáveis pelos nossos atos, mas também precisamos ser amorosos e compassivos com nós mesmos, até para podermos, de verdade, oferecer isso aos outros.
  10. Agradeça! Sempre há pelo que agradecer! Tenha um caderno da gratidão e antes de dormir registre ao menos três motivos por ter tido mais esse dia de vida e celebre cada pequena conquista com as pessoas que você ama!

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