Polka Dotz: comércio justo de moda vintage

Polka Dotz é uma marca especial para mim. Graças aos vestidos vintage, com preço justo e modelos lindos e estilosos, eu tive contato com o universo do consumo consciente. A estilista Maira Feitoza é irmã de duas amigas da Comunicação Social, Laís e Valéria. Contar a história dessa marca tão querida é uma tarefa cheia de significados.

Maira, a caçula do trio “feitózico”, formou-se em moda pela Universidade Estadual de Londrina em 2004 e criou as belezuras da marca para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). “Sempre tive dificuldade de garimpar peças com estampas legais a preços justos, descobri que mais meninas tinham essa mesma necessidade e que havia um espaço em branco para isso no mercado. Foi então que surgiu a Polka Dotz”, recorda.

O carro-chefe da marca são vestidos, mas também produz saias, shorts e blusinhas. A alma da Polka Dotz está em total sintonia com o consumo consciente. Maira executa praticamente todos os processos de produção, exceto a costura. A procedência de cada peça tem a garantia de que não há uso de trabalho infantil nem escravo. “Ter informação sobre a procedência de qualquer tipo de produto é um direito do consumidor”, observa.

A estilista questiona se as pessoas tivessem a chance de conhecer detalhadamente e com transparência todo o processo de como, por quem e em que condições são feitos os produtos continuariam a consumí-los. Continuariam sendo cúmplices e apoiadores do modo de produção? Para ela, informar é libertar e dar poder de escolha. Afinal, uma da formas de expressão humana ocorre por meio do consumo. “O consumidor informado é livre para se expressar através de suas escolhas de consumo e estilo de vida”, atesta.

Maira avalia que consumir é um ato político. “Eu faço minhas escolhas e as minhas escolhas me representam”, sintetiza. Por essa razão, valorizar a produção local em detrimento do consumismo massificado é uma decisão sobre identidade, estilo de vida e valores. Os produtos à venda nas grandes lojas, comenta, são quase sempre homogêneos e a impossibilidade de escolha destrói a expressão individual, limita a imaginação e as certezas quanto ao que uma roupa pode ser.

Em geral, o consumo é realizado de forma passiva e sem opções para o consumidor além do papel de mero receptor final de um produto. Trata-se de um fluxo constante que possibilida pouca ou nenhuma chance de ser interrompido ou questionado.

Maira acredita que inovar na moda ao encontro da sustentabilidade tem grande conotação política. Pois desafia a predominância do modelo vigente e promete benefícios que estão associados à possibilidade de recriar fluxos contrários de não apenas seguir a moda, mas também liderar e participar dela em uma relação mais ativa, saudável, cooperativa e consciente.

A tecelagem que fabrica os tecidos com as estampas exclusivas da Polka Dotz é uma empresa nacional, o que ajuda a fortalecer a economia local. As estampas são digitais e com baixíssimo impacto no meio ambiente. Os insumos são de alta qualidade, o que garante peças duráveis. Não é apenas propaganda. Eu, consumidora apaixonada da marca, tenho vários vestidos no meu armário com cinco anos de uso contínuo que seguem lindos e estilosos.

A Polka Dotz se baseia no design emocional para a sustentabilidade das peças. Esse traço emotivo acrescenta um significado mais profundo, ao modificar as relações comerciais e criar uma forte e duradoura interação entre a consumidora e o produto. Isso possibilita satisfazer necessidades emocionais e proporcionar maior informação, além de compartilhar a responsabilidade sobre um modelo mais sustentável e ético e oferecer diversidade e poder de escolha.

Assim como as pessoas, as marcas têm identidade própria. Carregam consigo caráter e personalidade ligados à sua história e aos seus valores fundamentais. “Dou preferência à produção em pequena escala, às técnicas tradicionais de confecção, aos materiais disponíveis na região e aos mercados locais”, descreve. Essa opção muda as relações de poder entre criadores de moda e consumidores, dá abertura para relações de confiança entre ambos os lados que só é possível em escalas menores de negócios.

Maira cultiva um relacionamento bem estreito com as clientes, algo imprescindível para produzir peças com as quais elas sejam capazes de criar vínculos emocionais além do processo de consumo tradicional. “Estou trabalhando numa maneira de conscientizar mais o meu público sobre a importância do consumo consciente, do comércio justo e todos os outros fatores que influenciam no quesito sustentabilidade”, comenta.

O processo criativo da estilista foge do roteiro que aprendeu na faculdade de moda. Como não segue tendências, Maira não tem um ponto de partida definido. Normalmente, o início se dá com a escolha do tema da coleção. Depois, as estampas são desenvolvidas e, paralelamente, a cartela de cores é definida. “Como faço estampas digitais posso ser mais livre para usar as cores que eu quiser. Não dependo do que a tecelagem tem para me oferecer. Só depois começo a trabalhar nos modelos em si”.

Ao estabelecer um relacionamento estreito com o público da marca, as necessidades das clientes acabam sendo entendidas de forma natural. Maira muda os modelos e os shapes e adiciona partes que antes eram dispensáveis. “Por exemplo, uma vez fiz um vestido com bolsos e percebi que as clientes ficaram muito surpresas e felizes”, conta.

Ela achava estranho tanta satisfação por uma coisa tão simples como um bolso e nunca chegou a perguntar o motivo dessa aprovação. Poucos dias depois, ela própria vestiu a tal peça e, quase que automaticamente, colocou o celular no bolso. “Na hora entendi a felicidade delas. Me senti uma burra por não ter pensado nisso antes, era tão simples!”

O processo de criação e desenvolvimento da coleção da Polka ocorre impregnado de impressões e traduções feitas das pessoas ao redor de Maira. “Eu sou consumidora de informação de moda, mas não defino minha coleções baseadas nas tendências pré-estabelecidas. Deixo as coisas fluirem mais naturalmente”, revela.

Na linha de produção, a estilista segue um cronograma. Como não conta com costureiras no ateliê, precisa se programar em função dos prazos estabelecidos pelos fornecedores de tecido. Por isso, a primeira coisa que faz são as estampas. Enquanto os tecidos estão sendo confeccionados, trabalha nas modelagens e aprovação das peças-pilotos.

Quando os tecidos chegam, os modelos estão definidos e prontos para o corte. O corte das peças é feito em bloco de cores, o que agiliza o processo de costura pois as costureiras não precisam ficar trocando de cor de linha nas máquinas. “Minha produção é pequena e isso não é muito vantajoso para elas, então qualquer detalhe conta.”

Depois de prontas, as peças voltam para Maira para revisão do trabalho, são encaminhadas para o acabamento e voltam finalizadas. Daí, fotografa e coloca as peças à venda. “Essa parte dá muito trabalho. Uma foto ruim não ajuda em nada nas vendas e acaba com todo o trabalho”, pondera.

Com relação aos insumos, a Polka tenta trabalhar com o que tem por perto, o que por um lado a limita bastante e, por outro, funciona como um exercício de criatividade de fazer o melhor possível com o que se tem disponível. Ela não abre mão de trabalhar com tecidos 100% algodão.

Desde que foi criada, a marca atende mulheres refinadas, sensíveis e exóticas na faixa dos 25 aos 40 anos. As clientes apresentam consciência de si e do que querem consumir, manifestam suas emoções por meio de escolhas cotidianas de consumo e dos códigos de comunicação originais dos produtos.

As mulheres que usam Polka, descreve Maira, se expressam em áreas como fotografia, cinema, comunicação, decoração e culinária. Nutrem uma vida nostálgica, se interessam pelo passado, pela história de objetos, pessoas e lugares. São românticas e buscam um toque artístico em tudo o que as cercam. Apaixonam-se pelo que consomem, projetando sobre o consumo sua personalidade singular.

As consumidoras da marca são observadoras e atentas e procuram dar sentido à dimensão simbólica das coisas. Valorizam a sofisticação, o detalhamento cuidadoso, o lado mágico e emocional da experiência. Combinam materiais e redefinem valores e significados ao inseri-los em contextos inesperados de seu cotidiano. Prezam a originalidade e a visão artística da marca, o refinamento e as qualidades sinestésicas.

No momento, a Polka está sem pontos de vendas fixos em Brasília. “O ano de 2016 foi de questionamento e fiz várias reformulações e agora chegou a hora de voltar!”, informa. Em breve, o site da marca voltará à ativa com vendas para todo o Brasil. A dica é acompanhar as novidades nas redes sociais e, na primeira oportunidade, agarrar a sua Polka.

Serviço
Polka Dotz
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