Rótulos de alimentos: aprenda a decifrar as letrinhas miúdas

O segredo para uma alimentação saudável parte de um princípio simples: descascar mais e desembalar menos. Porém, ao consumir alimentos processados e ultraprocessados, que devem ser evitados ao máximo, é importante ficar atento às informações dos rótulos.

O primeiro passo é aprender a ler as letrinhas miúdas impressas nos rótulos dos produtos. A Agência Nacional de Vigilância Santitária (Anvisa) é o órgão responsável pela regulação da rotulagem de alimentos, que estabelece as informações que um rótulo deve conter para garantir a qualidade do produto e a saúde do consumidor.

Em parceria com a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) e Departamento de Nutrição da Universidade de Brasília (NUT-UnB), a Anvisa publicou a cartilha Rotulagem nutricional obrigatória: manual de orientação aos consumidoresO material é voltado para os consumidores e consumidoras e traz informações sobre algumas leis referentes à rotulagem de alimentos com o objetivo de desvendar o que dizem os rótulos.

Embora tenha sido lançada em 2008, o material da Anvisa continua atual. De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, a cartilha tem informações de grande relevância para os consumidores. “O texto trata, por exemplo, sobre informações nutricionais obrigatórias e explica algumas das dúvidas mais frequentes que chegam à Agência.”

O melhor conhecimento sobre informações nutricionais, informa a Anvisa, ajuda a despertar ainda mais o interesse pela busca do consumo e escolha mais saudável de alimentos. A melhor compreensão dos rótulos dos alimentos ajuda o consumidor a obter informações relevantes sobre o conteúdo nutricional, contribuindo para a seleção adequada desses produtos e evitando a indução enganosa ao consumo de um produto.

como-entender-a-tabela-nutricional-dos-alimentos-detalhada-293x300“Entender o correto significado das informações nutricionais facilita a compreensão dos termos usados na rotulagem de alimentos, aumentando seu potencial de proteção e promoção da saúde.”
Assessoria de imprensa da Anvisa

A curitibana Letícia Ludwig Loder, 37, revisora de textos, mora em Brasília há sete anos e meio e começou desde cedo a se preocupar com as informações dos rótulos. Ela relata que aos 10 ou 11 anos de idade foi impactada por uma aula em que a professora de Ciências alertou para o fato de que os produtos industrializados têm validade. “Fiquei a ‘neurótica da data de validade’ na família por uns dois ou três anos. Depois disso, lá pelos 20 e poucos anos, quando passei a pagar minhas próprias contas no supermercado, passei a ler as listas de ingredientes dos produtos”, recorda.

Letícia não tem nenhum tipo de alergia ou restrição alimentar. O que a interessa nos rótulos – além da data de validade, claro – é, principalmente, a presença de transgênicos. Além de procurar pelo triângulo amarelo na frente do produto – embora tenha notado que algumas marcas que antes tinham o tal triângulo agora não têm mais – ela observa a lista de ingredientes. “Se tiver soja ou milho, devolvo para a prateleira, porque a chance de serem transgênicos é altíssima, e busco ingrediente alternativo.”

A exceção da regra de Letícia é quando o produto estampa o selo Orgânicos do Brasil, que certifica que o produto é orgânico. “Daí, mesmo que o produto tenha soja ou milho na lista de ingredientes, fico um pouco mais confiante em comprar o produto”, comenta.

Em razão da sua preocupação com rótulos de alimentos, Letícia deixou de consumir amido de milho e fermento químico em pó, pois sabe que todas as marcas comerciais são transgênicas. Em lugar do amido de milho, utiliza farinha de trigo ou de mandioca e, no do fermento químico em pó, redescobriu uma “receita de vovó”: bicarbonato de sódio com cremor tártaro.

Com relação aos perecíveis, como leite e queijos, Letícia busca sempre adquirir os orgânicos certificados. Mas seja com perecíveis ou com industrializados, a lógica de Letícia é a mesma: se é transgênico, não compra.

lele“Se me falta informação para saber se é ou não transgênico, prefiro não consumir.”
Letícia Ludwig Loder, consumidora atenta aos rótulos

Transgênicos – A indústria de alimentos é obrigada pela Lei 11.105/2005 a informar sobre a presença de mais de 1% de ingredientes transgênicos em qualquer tipo de produto para o consumo humano ou animal. O decreto federal 4.680/2003regulamentou o direito à informação assegurado pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC). A legislação vale, inclusive, para alimentos e ingredientes produzidos a partir de animais alimentados com ração contendo transgênicos.

Desvende os rótulos dos alimentos

Todo rótulo de alimentos deve informar Lista de Ingredientes, Prazo de Validade, Origem, Lote, Conteúdo Líquido e Informação Nutricional Obrigatória.

Lista de ingredientes – O primeiro ingrediente é o que está em maior quantidade no produto e o último, em menor quantidade. Alimentos de ingredientes únicos como açúcar, café, farinha de mandioca, leite, vinagre não precisam apresentar essa relação.
Prazo de Validade – Apresenta, ao menos, o dia e o mês quando o prazo de validade for inferior a três meses; o mês e o ano para produtos que tenham prazo de validade superior a três meses.
Origem – Informa quem é o fabricante do produto e onde ele foi fabricado.
Lote – Número que faz parte do controle na produção. Caso haja algum problema, o produto pode ser recolhido ou analisado pelo lote ao qual pertence.
Conteúdo Líquido – Indica a quantidade total de produto contido na embalagem. O valor deve ser expresso em unidade de massa (quilo) ou volume (litro).
Informação Nutricional Obrigatória – Tabela nutricional indica Porção, Percentual de Valores Diários (%VD), Nutrientes e Medida Caseira.

  • Porção – Quantidade média do alimento que deve ser usualmente consumida.
  • Percentual de Valores Diários (%VD) – Quanto o produto apresenta de energia e nutrientes em relação a uma dieta duas mil calorias diárias.
  • Nutrientes – Apresentam valores diferentes para calcular os Valores Diários, tendo como referência: Valor energético – 2000kcal / 8.400kJ; Carboidratos – 300g; Proteínas – 75g; Gorduras Totais – 55g; Gorduras Saturadas – 22g; Fibra Alimentar – 25g e Sódio – 2400mg. Não há valor diário para as gorduras trans.
  • Medida Caseira – Indica a medida normalmente utilizada pelo consumidor e consumidora para medir alimentos, como fatias, unidades, pote, xícaras, copos e colheres de sopa.

Entenda os nutrientes

Valor Energético – É a energia produzida pelo corpo humano a partir da ingestão de carboidratos, proteínas e gorduras totais. Na rotulagem nutricional, o valor energético é expresso em forma de quilocalorias (kcal) e quilojoules (kJ). Obs: Quilojoules (kJ) é outra forma de medir o valor energético dos alimentos, sendo que 1 kcal equivale a 4,2 kJ.
Carboidratos – Componentes dos alimentos cuja principal função é fornecer a energia para as células do corpo, principalmente do cérebro. São encontrados em maior quantidade em massas, arroz, açúcar, mel, pães, farinhas, tubérculos (como batata, mandioca e inhame) e doces em geral.
Proteínas – Componentes dos alimentos necessários para construção e manutenção dos órgãos, tecidos e células. Encontradas nas carnes, ovos, leites e derivados, e nas leguminosas (feijões, soja e ervilha).
Gorduras Totais – Principais fontes de energia do corpo e ajudam na absorção das vitaminas A, D, E e K. Referem-se à soma de todos os tipos de gorduras encontradas em um alimento, tanto de origem animal quanto de origem vegetal.
Gorduras Saturadas – Presente em alimentos de origem animal como carnes, toucinho, pele de frango, queijos, leite integral, manteiga, requeijão e iogurte. O consumo desse tipo de gordura deve ser moderado porque quando consumido em grandes quantidades pode aumentar o risco de desenvolvimento de doenças do coração.
Alto %VD – O alimento apresenta grande quantidade de gordura saturada em relação à necessidade diária de uma dieta de 2000 Kcal.
Gorduras Trans ou Ácidos Graxos Trans – Presente em grandes quantidades em alimentos industrializados, que utilizam as gorduras vegetais hidrogenadas na preparação. O consumo deve ser reduzido pois o organismo humano não necessita desse tipo de gordura e, quando consumido em grandes quantidades, pode aumentar o risco de desenvolver doenças do coração. Não se deve consumir mais que 2 gramas de gordura trans por dia.
Fibra Alimentar – Presente em diversos tipos de alimentos de origem vegetal, como frutas, hortaliças, feijões e alimentos integrais, sua ingestão auxilia no funcionamento do intestino. O ideal é consumir alimentos com alto %VD de fibras alimentares.
Sódio – Presente no sal de cozinha e alimentos industrializados, deve ser consumido com moderação, pois o consumo em excesso pode levar à hipertensão. O recomendado é evitar alimentos com alto %VD em sódio.

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