Indústria da moda em Brasília: tema de bate-papo na Semana da Revolução da Moda

#EspecialFashionRevolutionWeek

Nesta terça-feira (25) a terceira edição da Fashion Revolution Week 2017 – Brasília promoveu a exibição do filme The True Cost na Casa Thomas Jefferson da Asa Sul e, em seguida, uma roda de conversas. Ao longo da semana você pode acompanhar tudo que rola nesse evento global na coluna Consumo Consciente. Uma excelente oportunidade de repensar sua relação com a moda.

*Por Larissa Fafá

Um dos pontos principais para se questionar a sustentabilidade da moda é começar pelo trabalhador que fabrica as peças. O trabalho foi justamente o tema do segundo dia da programação da Semana da Revolução na Moda em Brasília nesta terça-feira (25).

O evento exibiu o documentário ‘The True Cost’, que mostra os custos sociais da exploração de mão de obra na moda, como forma de inserir o problema do trabalho nas cadeias produtivas de grandes lojas e grandes marcas. Após a exibição, profissionais da área da moda participaram de mesa redonda, mediada pela designer Flávia Amadeu.

Durante as falas no debate, a designer de moda e professora Romilda Moreira avaliou que a mudança dos hábitos de consumo deve vir tanto dos consumidores, quanto dos designers que atuam no mercado fashion. “As pessoas estão muito preocupadas com as curtidas no Instagram e no Facebook, mas é necessário uma educação para questionar de onde vem esses produtos que usamos”, pontuou.

romildadia2-2“O tema é indigesto e nem todo mundo está disposto a encarar, mas é necessário uma educação neste sentido, principalmente por nós, que trabalhamos da cadeia produtiva de moda. Somos todos agentes multiplicadores e podemos passar essas informações para frente e impactar mais pessoas.”
Romilda Moreira

Já para a jornalista Iara Vidal, titular da coluna Consumo Consciente, do Brasília de Fato, que também participou do debate, o papel mais ativo no processo de mudança deve ser por parte do consumidor. “Não vai ser a indústria que um dia vai mudar. O comércio justo não é mais barato para o seu bolso, mas existe um custo social”, afirmou.

iaradia2-2“Não podemos transformar o capital humano em commodity. É melhor comprar um vestido e ajudar sua amiga a pagar o aluguel do que comprar três e continuar a dar dinheiro para multinacionais.”
Iara Vidal

A consultora em moda sustentável Rachel Pinheiro chamou a atenção para como a cadeia produtiva da moda deve ser inclusiva para que seja sustentável. Ela chamou de ‘economia dos átomos’ o processo de interação entre os produtores e artesãos envolvidos, o que gera bons frutos para todos.“Uma pessoa que se compromete a fazer roupas levando em consideração as necessidades de todos na cadeia produtiva não vai competir com uma blusa de cinco dólares na internet.

racheldia2-2“É preciso valorizar seu produto, fazer o consumidor entender o alto custo, e trabalhar o consumidor para se tornar consciente.”
Rachel Pinheiro

Acidente em Bangladesh

O documentário exibido, ‘The True Cost’, aborda a internacionalização da mão de obra, especialmente na indústria da moda, onde as roupas são feitas em países mais pobres e com custos mais baixos. Como resultado, tragédias ocorrem nos locais de produção, como o desabamento do Rana Plaza, em Dhaka (Bangladesh), que resultou na morte de mais de mil pessoas em 2013. No prédio funcionava uma confecção, instalada em local precário, inseguro e recebendo pouco pela produção.

É essa soma de fatores que permite a venda de roupas por preços muito baixos, como os praticados por lojas de fast fashion. Segundo o documentário, a indústria da moda é o segundo setor que mais polui o mundo, atrás apenas da indústria do petróleo.

Também participante do debate, a embaixatriz de Bangladesh, Shumona Iqbal, explicou que, após a independência recente do País em 1971, a indústria têxtil se instalou com força na década de 80. Com o advento da fast fashion, houve um crescimento do setor produtivo, o que intensificou o barateamento da mão de obra e a precariedade das condições de trabalho.

Shumona avaliou que uma das formas de ter mais segurança para a indústria têxtil é estimular a instalação dos parques fabris em regiões menos povoadas, aliado com leis e fiscalizações mais fortes.

embaixatrizdia2“Depois do incidente, que foi muito triste, nosso país intensificou as regras de segurança e a legislação trabalhista com ajuda de países como Holanda e Canadá. Tentamos tirar uma lição positiva dessa enorme tragédia.”
Shumona Iqbal

A embaixatriz mantém hoje um trabalho social que dá suporte às vítimas do acidente retratado pelo documentário que ficaram com sequelas motoras, o Centre for Rehabilitation of the Paralyzed.


Larissa Fafá é jornalista com atuação em redação e assessoria de imprensa. Atualmente, cursa mestrado na UnB e estuda relação entre consumo, gênero e juventude.  lfafafreisleben@gmail.com

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