Empreendedorismo local: chave para desenvolvimento de uma moda sustentável

#EspecialFashionRevolutionWeek

Nesta quarta-feira (26), a terceira edição da Fashion Revolution Week 2017 – Brasília  teve atividades no Makerspace da Casa Thomas Jefferson da Asa Norte (606 N). Até amanhã, você pode acompanhar tudo que rola nesse evento global na coluna Consumo Consciente. Uma excelente oportunidade de repensar sua relação com a moda.

*Por Larissa Fafá

No terceiro dia do Fashion Revolution Week, nesta última quarta-feira (27) em Brasília, o debate reuniu empreendedores de Brasília e Entorno para discutir a importância dos negócios locais para uma moda mais consciente. A palestra, que teve duração de cerca de duas horas com exposição e perguntas, teve lotação máxima do Makerspace, na Casa Thomas Jefferson da Unidade Asa Norte. Simultaneamente, interessados participaram da Oficina Costura Orgânica e Customização Criativa, sobre modelagem intuitiva e estêncil, ministrada pela estilista Sandra Lima.

A criadora do Bosque Ateliê, Raquel Bogéa, faz impressões botânicas e desenvolve pigmentos naturais a partir de plantas e flores do cerrado. O tingimento artificial das roupas é um dos principais motivo da poluição gerada pela indústria têxtil, que contamina os rios e destrói a flora e fauna locais. Além de criar tintas naturais, o ateliê incentiva o reuso criativo de roupas, tingindo peças já usadas e transformando em novas roupas. Com o seu trabalho, Raquel explica que impacta a sua comunidade de várias formas e contribui para uma moda sustentável.

raquelbogeapalestra“Moro em zona rural e sou apaixonada por plantas. Pude trazer esse conhecimento para a moda, onde consigo mobilizar minha comunidade e despertar esse valor neles, além de trabalharmos juntos e capacitarmos também as pessoas inseridas. Acredito que se cada um fizer a sua parte, conseguimos um mundo mais sustentável”.
Raquel Bogéa, Bosque Ateliê

O reuso criativo é também o principal produto da empreendedora Yasmin Alkmin, criadora do Mebelisca. Em sua loja, Yasmin aluga vestidos de festas e aumenta a vida útil de peças que são utilizadas em situações específicas, tornando o consumo mais consciente e diminuindo o consumismo excessivo. Para isso, a loja usa da criatividade para tornar as roupas mais parecidas com cada cliente.

yasminalkiminpalestra“O consumo consciente é a nossa última salvação. Nós precisamos do meio ambiente, da matéria prima. É necessário saber que a terra é uma só e nós não temos plano b. Questionar sobre a real necessidade do que queremos comprar é o pulo do gato do consumo consciente e é um exercício para ser feito por todos, inclusive não só na moda. Eu me sinto ajudando mulheres a encontrar-se em produtos reutilizados.”
Yasmin Alkmin, Mebelisca

Também no cenário de empreendedores locais, a estilista Carol Nemoto, idealizadora da marca Miwa, ressalta que não só a reutilização é importante, mas também criar uma moda que sobreviva a mais de uma temporada para tornar o consumo da moda responsável. É o que a estilista explicou ser a essência do slow fashion, no qual a moda é vista de forma mais duradoura.

carolnemotopalestra“O slow fashion é a moda feita para durar e não usa de tendências passageiras. E para isso é preciso unir um design interessante com produtos de qualidade. O conceito da sustentabilidade valoriza os produtores e artesãos locais, usa materiais de alta qualidade e processos sustentáveis. É exatamente o que tento fazer. Sempre fui muito engajada, e sempre me perguntavam porque eu fui para uma área tão ‘fútil’ como moda. Foi aí que eu tentei, através do meu trabalho, trazer o engajamento que eu procuro.”
Carol Nemoto, Miwa

Outro aspecto muito importante para o empreendedor local é sobreviver às dificuldades do processo de construir uma marca e seus produtos. A coach executiva Adriana Lombardo lembrou que há diferentes formas de lidar com os desafios da vida e a mudança de mentalidade é necessária para fazer uma revolução no consumo.

adrianapalestra“É preciso ter um conjunto de pensamentos em prol do crescimento. É preciso entender que as pessoas invisíveis fazem parte do processo. Batemos palmas para as top modelse estilistas, mas não batemos palma para quem está colhendo o algodão. A sustentabilidade não é sinônimo somente de meio ambiente. É necessário olhar para o todo, entender quem faz parte do processo produtivo, respeitar essas pessoas e trazê-las para mais próximo de você.”
Adriana Lombardo, coach executiva

* Larissa Fafá é jornalista com atuação em redação e assessoria de imprensa. Atualmente, cursa mestrado na UnB e estuda relação entre consumo, gênero e juventude.  lfafafreisleben@gmail.com

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