Moda sustentável: confira o resumo da Semana de Revolução da Moda em Brasília

#EspecialFashionRevolutionWeek

Eu realizei a cobertura da Fashion Revolution Week 2017 – Brasília. Ao longo da semana, contei toda a programação desse evento global e que foi uma excelente oportunidade de repensar as relações com a moda. 

Qual o verdadeiro custo da moda? Qual o seu impacto em todas as fases do processo de produção e consumo? A terceira edição da Fashion Revolution Week 2017 – Brasília buscou responder essas perguntas para os consumidores e consumidoras brasilienses na semana passada, entre os dias 24 e 28 de abril. Por meio de palestras, debates, oficinas e ações mobilizadoras que ocorreram nas unidades da Casa Thomas Jefferson da Asa Sul e da Asa Norte e na Loja Verdemanga, localizada no Shopping Pier 21.

O tema central do evento foi “Money, Fashion, Power”, o fluxo do dinheiro na cadeia produtiva da indústria da moda. A proposta foi incentivar consumidores e consumidoras a questionarem as marcas que usam com um convite a uma simples e poderosa reflexão: #quemfezminhasroupas?

A Fashion Revolution Week é um evento que integra o movimento Fashion Revolution, criado por um conselho global de líderes da indústria da moda sustentável que se uniram depois do desabamento do edifício Rana Plaza, em Daka, Bangladesh, no dia 24 de abril de 2013, após inúmeras advertências acusando rachaduras graves na estrutura na véspera do desabamento.

O edifício abrigava cerca de cinco mil empregados da indústria da moda, sendo quatro grandes fábricas exportadoras e algumas lojas. A tragédia deixou 1.133 mortos e 2.500 feridos e motivou o surgimento da campanha para mostrar ao mundo que a mudança é possível através da criação de um futuro mais sustentável e da criação de conexões que exigem transparência.

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Dia 1 – Mobilização #quemfezminhasroupas

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A abertura da Fashion Revolution Week 2017 – Brasília foi realizada na loja temporária (pop-up) da Verdemanga, localizada no Shopping Píer 21. A representante do evento aqui no quadradinho, a designer Flavia Amadeu, da Flavia Amadeu Design Sustentável, fez uma apresentação sobre o movimento Fashion Revolution.

Em seguida, uma turma da moda consciente de Brasília promoveu um bate-papo sobre Empreendedorismo Social e Local em Moda. Participaram da troca de ideias sobre o tema Gracilene Bessa (Verdemanga), Carol Nemoto (Miwa), Chica Rosa (Cia do Lacre) e Romilda Moreira (designer de moda).

A consultora de estilo Brunna Fernandes ministrou uma apresentação sobre armário cápsula na qual mostrou como que com um número limitado de peças (30 a 40) é possível ter diversas possibilidades de combinações.

Enquanto rolou o bate-papo, foi realizada uma oficina para customizar uma camiseta com a hashtag #quemfezminhasroupas. A oficina com estêncil foi ministrada por Amanda Martins, estudante de Design da Universidade de Brasília. As participantes da atividade puderam transformar tecidos, camisetas e outras peças esquecidas no armário em uma peça mobilizadora deste movimento global com a hashtag #quemfezminhasroupas.

Eu prestei homenagem às pessoas que fazem as minhas roupas. Dá uma olhadinha no meu álbum “Minhas roupas guardam lembranças felizes”

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Dia 2 – Trabalho na indústria da moda

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No auditório da Casa Thomas da Asa Sul foi exibido o documentário The True Cost. Eu fui uma das participantes da mesa-redonda realizada após o filme. Me fizeram companhia a embaixatriz de Bangladesh, Shumona Iqbal; a Rachel Pinheiro, consultora de moda sustentável; e a designer de moda Romilda Moreira. A representante da Fashion Revolution Week em Brasília, a designer Flavia Amadeu, foi a mediadora do bate-papo.

Shumona falou sobre a trajetória de Bangladesh como um dos polos globais da indústria têxtil. Ela comentou que a fast fashionintensificou o barateamento da mão de obra e sucateou as condições de trabalho. Hoje, ela mantém um trabalho social para arrecadar fundos e prestar suporte às vítimas do Rana Plaza, em especial as que ficaram com sequelas motoras, o Centre for Rehabilitation of the Paralyzed.

Rachel Pinheiro, 36, é brasiliense e mora e trabalha em Londres (Inglaterra) há 13 anos. Participa do Fashion Revolution desde a primeira edição. Assina o blog ‘House of Pinheiro’ e conta com 70 mil visualizações mensais e 50 mil seguidores nas redes sociais. Ela destacou as diferenças entre as culturas brasileira e europeia. “Lá, o consumismo é menor, as pessoas já se questionam de onde vem as roupas, qual a mão de obra e os insumos, como é a situação das mulheres”, comentou.

A designer de moda Romilda Moreira, 39, é consultora em design e sustentabilidade, professora de corte, costura e modelagem. Atualmente dedica-se à pesquisa de moda, novas tecnologias e sustentabilidade. Ela falou sobre o poder da educação como multiplicadora do consumo consciente. “Precisamos conectar pessoas e saberes, valorizar o trabalho de toda uma cadeia produtiva, como artesãos, costureiras, trabalhadores manuais, valorizar o artesanato local, a cultura local, carregar o vestuário de conteúdo e significado.”

Assistir mais uma vez The True Cost apenas reforçou meu ponto de vista de que a degradação de valores éticos, a ganância desenfreada, a monetização da vida humana e a transformação do meio ambiente em um recurso industrial é o modus operandi da indústria de fast fashion. Eu aponto essa falta de escrúpulos como a principal causa de cada rachadura do edifício Rana Plaza, em Dhaka (Bangladesh), no dia 24 de abril de 2013, que ruiu e vitimou milhares de trabalhadores. Mas abriu os olhos do mundo.

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Dia 3 – Empreendedorismo Sustentável

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A partir do tema Empreendedorismo Sustentável, o terceiro dia da Semana da Revolução da Moda brasiliense recebeu para uma palestra as empreendedoras Raquel Bogéa (Bosque Ateliê), Yasmin Alkmim (Mebelisca) e Carol Nemoto (Miwa) e a coachAdriana Lombardo.

A criadora do Bosque Ateliê, Raquel Bogéa, faz impressões botânicas e desenvolve pigmentos naturais a partir de plantas e flores do cerrado. O tingimento artificial das roupas é um dos principais motivos da poluição gerada pela indústria têxtil, que contamina os rios e destrói a flora e fauna locais. Além de criar tintas naturais, o ateliê incentiva o reuso criativo de roupas, tingindo peças já usadas e transformando em novas roupas. Com o seu trabalho, Raquel explicou que impacta a sua comunidade de várias formas e contribui para uma moda sustentável.

O reuso criativo é também o principal produto da empreendedora Yasmin Alkmin, criadora do Mebelisca. Em sua loja, Yasmin aluga vestidos de festas e aumenta a vida útil de peças que são utilizadas em situações específicas, tornando o consumo mais consciente e diminuindo o consumismo excessivo. Para isso, a loja usa da criatividade para tornar as roupas mais parecidas com cada cliente.

Também no cenário de empreendedores locais, a estilista Carol Nemoto, idealizadora da marca Miwa, ressalta que não só a reutilização é importante, mas também criar uma moda que sobreviva a mais de uma temporada para tornar o consumo da moda responsável. É o que a estilista explicou ser a essência do slow fashion, no qual a moda é vista de forma mais duradoura.

Outro aspecto muito importante para o empreendedor local é sobreviver às dificuldades do processo de construir uma marca e seus produtos. A coach executiva Adriana Lombardo lembrou que há diferentes formas de lidar com os desafios da vida e a mudança de mentalidade é necessária para fazer uma revolução no consumo.

Enquanto rolou a palestra, a estilista Sandra Lima ministrou a Oficina Costura Orgânica e Customização Criativa. Estilista desde 2006, quando estreou sob a supervisão do estilista Jun Nakao, no Capital Fashion Week, trabalha com modelagem tridimensional e orgânica. Produz coleções cápsulas para a Novo Desenho, loja do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, e para a marca Fernanda Yamamoto.

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Dia 4 – Cenários Futuros

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No quarto dia da programação da Fashion Revolution Week 2017 – Brasília, o tema debatido foi Cenários Futuros. Foram três palestrantes: o diretor da Escola Perestroika Brasília, Guilherme Piletti; o coordenador de Meio-ambiente da UNESCO/ ONU Brasil, Massimiliano Lombardo; e a representante do Fashion Revolution Brasil em Brasília, Flavia Amadeu. Em paralelo, foi realizada a Oficina Design criativo – acessórios e materiais alternativosministrada pela designer de joias Nazareth Pinheiro, do noSSo estúdio design.

Guilherme Piletti foi o primeiro a falar e alinhavou os desafios para a sustentabilidade da moda ao conceito de biomimética [ciência que estuda os princípios criativos e estratégias da natureza para criar soluções voltadas para a humanidade com funcionalidade, estética e sustentabilidade]. Enquanto a Natureza funciona de forma cíclica, interdependente e otimizada, comparou, a humanidade adotou um modelo linear, cartesiano e maximizado e insustentável.”Não existe jogar fora”, observou.

Massimiliano Lombardo falou sobre as Oportunidades para uma moda mais responsável no contexto da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Ele traçou a linha do tempo da atuação das Nações Unidas em prol da sustentabilidade desde a realização da Conferência Rio-92, que produziu a Agenda 21, até os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que norteiam a Agenda 2030.

A designer Flavia Amadeu apresentou a palestra Cadeia de valor da borracha natural – geração de renda e inclusão social na floresta Amazônica. Ela compartilhou a experiência com a borracha FSA (Folha Semi-Artefato), material de que são feitas as joias orgânicas da sua marca. “A borracha colorida foi desenvolvida para gerar renda na floresta Amazônica e se transformou em uma ferramenta para inclusão social,” orgulha-se.

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Dia 5 – Encerramento

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O encerramento da Fashion Revolution Week 2017 – Brasília foi realizado na loja Verdemanga. Houve um bate-papo com as participantes sobre os desafios da indústria da moda sustentável.

Confira o álbum da Fashion Revolution Week 2017 – Brasília e o evento

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