Disruptiva: assim é Brasília, para felicidade dos empreendedores criativos da cidade

[Disruptiva. Adjetivo.
Que provoca ou pode causar disrupção;
que acaba por interromper o seguimento normal de um processo.
Que tem capacidade para romper ou alterar; que rompe.]

 

#SérieEconomiaCriativa

O horizonte que carregamos sobre os ombros, o céu azul, a terra vermelha, os ipês coloridos [eles estão chegando!] e as avenidas largas são características únicas em uma cid IPade que sorri para a economia criativa. Disruptiva desde o nascimento, a nova capital – surgida da mente e força de trabalho de homens e mulheres também disruptivos – se adaptou como calango à secura do cerrado. Brasília tem qualidades singulares que a tornam ideal para a criação de empreendimentos criativos. Eles estão em todas as áreas – moda, cultura, entretenimento, informação e conhecimento – e tecem uma rede de transformação no modo de produzir.

Panorama da Economia Criativa no Distrito Federal, elaborado pela Codeplan, mostra que Brasília é cenário promissor para atividades da Economia Criativa. A força produtiva do DF, embora sofra impacto direto da Administração Pública, está focada em Serviços. O setor, guarda-chuva dos empreendedores criativos, representa mais de 90% da economia brasilense.

Esse estudo foi dirigido pela arquiteta e servidora pública Maria Celeste Macedo Dominici. Ela acaba de lançar o livro Brasília: Retomar o Futuro (Ed. Thesaurus), que propõe a retomada do plano original para a Capital Federal. “O projeto de Brasília queria favorecer o desenvolvimento da inteligência e da criatividade da população para criar uma cultura voltada aos interesses coletivos da cidade e de todo o Brasil”, relembra a autora.

mariaceleste2“A retomada do plano original pode ser possível aproveitando-se intensamente o momento atual, com suas tecnologias, em que a informação, o conhecimento e a participação da sociedade tornaram-se decisivos para o desenvolvimento”.
Maria Celeste Macedo Dominici

Parque temático disruptivo

O povo daqui concentra o maior número de pessoas com doutorado no Brasil. Brasília irradia amplitude nacional, regional e internacional. Abriga a alta administração nacional e representações diplomáticas. O meio ambiente é resultado do encontro das três maiores bacias hidrográficas brasileiras e trunfo para o turismo ecológico, pesquisas e desenvolvimento e incluído pela Unesco no Programa Homem e Biosfera como um hotspot [região biogeográfica que é simultaneamente uma reserva de biodiversidade, que pode estar ameaçado de destruição].

O conjunto urbanístico de Brasília, nosso museu ao ar livre, é Patrimônio Cultural da Humanidade. Nossa identidade foi forjada a partir da mistura da diversidade cultural de gente de norte a sul do país. O setor de tecnologias de informação e comunicação é pulsante. A cena de arte e cultura fervilha e faz acontecer a nossa vocação cultural. O Quadradinho é um parque temático para empreendedores criativos e disruptivos.

Um deles é Marcus Edrisse, que largou uma carreira consolidada para impulsionar o sonho dos jovens de espírito para a cultura empreendedora. Em fevereiro de 2016, ele fundou a Maiê Lab School. “Temos escolas conteudistas que valorizam conhecimentos técnicos e acadêmicos que não provêm ferramentas para que nossos alunos se tornem protagonistas das suas vidas. Na nossa visão, não existe outra possibilidade de falar de empreendedorismo sem linkar isso com a economia criativa”, avalia.

Aos 48 anos, 34 deles em Brasília, o rondoniense Marcus não perdeu o fio da meada da revolução em curso. “O mercado de trabalho que a minha geração conheceu não existe mais. Essa geração que vem aí pensa diferente. O ajuste de expectativas é essencial para formarmos o capital humano necessário para fazer girar essa economia”.

marcusedrisse“Formar pessoas para este mundo envolve estabelecer como habilidades e competências disciplinas como: liderança, comunicação, pensamento crítico, inovação. Mais do que isso, envolve um discurso que deve ser difundido, mostrando a mudança dos papéis e as novas relações de trabalho.”
Marcus Edrisse, Maiê Lab School

Outra turma conectada à revolução disruptiva rolando mundo afora é a Perestroika – Escola de Atividades Criativas. O desafio de sair da caixinha começa pelo slogan irônico: “Pior Escola do Mundo”. O que eles querem é contribuir com o aperfeiçoamento do modelo mental dos empreendedores, com uma nova camada de aprendizado que faça sentido para a vida, não apenas para iniciar um projeto ou abrir uma empresa.

Para a galera da Perestroika, tudo conta: mudança de entendimento, de comportamento, de relacionamentos interpessoais, familiares, sociais e profissionais e, claro, de empreendimentos que surgem como projetos ou modelos de negócios. Em Brasília, a unidade funciona há três anos e impactou mais de mil pessoas, em cursos abertos ou em capacitações realizadas em empresas locais.

O diretor de Whatever [rs] da unidade em Brasília, Guilherme Piletti, explica que a escola valoriza as experiências práticas. “Ou seja, valoriza quem experimenta, cria, produz. E desenvolve seus conceitos a partir da aplicação de ideias em prática. Soma-se a isso aprendizados que surgem das experimentações de centenas de parceiros de todo o Brasil e de alguns outros cantinhos do mundo. Como resultado, há estímulo e orientação para quem está em processo empreendedor, independente da fase de vida ou de negócio”.

guidiapere“A própria jornada da escola, de uma ideia para um projeto, para um negócio, para uma empresa (que atua em todo Brasil e alguns outros cantinhos do mundo), constitui conceitos que ajudam a entender como é a jornada empreendedora de um organismo relacionado à economia criativa.”
Guilherme Piletti, Perestroika

Mudança de paradigmas

Na área cultural, o Dulcina Vive é um movimento que surgiu do desejo coletivo de barrar a degradação de nossos espaços. Com essa missão, a turma trabalha com novos modelos de relação, de trabalho e de sustentabilidade. “Os modelos e as instituições tradicionais estão completamente saturados e em colapso, os desafios exigem soluções inteligentes”, informa a descrição do movimento na página do Facebook.

O Dulcina Vive proclama a necessidade do novo e orienta que a atuação deve ser em rede e organizada de forma colaborativa para induzir a troca de conhecimento, desejos e reivindicações em um fluxo de comunicação em tempo real. A ferramenta é a criatividade para ocupar o Centro Cultural Dulcina de Moraes. O coordenador de eventos do movimento, Kaká Guimarães, comenta que o Dulcina é um patrimônio histórico, cultural e artístico da cidade e durante muito tempo acabou esquecido, assim como o centro da cidade como um todo.

“Hoje, com todo esse problema de lei do silêncio e de setorização da cidade, é natural que a cultura alternativa tenha procurado o centro da cidade para trabalhar com manifestações artísticas, culturais, festas e shows. Brasília tem um cenário crescente nessa área da cultura alternativa. Tem ótimas bandas, produtores musicais, djs, artistas e pessoas que fazem perfomance”, destaca Kaká.

O trabalho do movimento Dulcina Vive é conectar esse capital humano e atuar com as diversas formas de arte. O primeiro passo foi reformar o subsolo do prédio da Fundação Brasileira de Teatro e abarcar uma série de projetos. “Tem muitas pessoas que fazem festas, gravam clips, tiram foto e o próprio local virou uma galeria de arte urbana e vários artistas visuais e grafiteiros da cidade têm seus painéis lá”, celebra Kaká.

kkdulcinavive“É um trabalho crescente para que a gente possa daqui alguns anos realmente chamar o Conic de Setor de Diversões. Que seja a Lapa, a Rua Augusta de Brasília. Por enquanto, a gente ainda está sofrendo um pouco com a resistência das pessoas que já estavam lá e que não querem que tenha festas, não querem que tenha teatro, não querem nada. Mas a gente continua seguindo em frente porque sabe que a cidade precisa daquele espaço de  cultura.”
Kaká Guimarães, Dulcina Vive

Outro projeto mergulhado de cabeça na Economia Criativa é o Experimente Brasília. O laboratório de turismo criativo abre caminhos para desbravar a Capital de um jeito genuíno, peculiar e lúdico, pelas mãos de moradores descolados da cidade. Em dezembro de 2016, a marca lançou o selo Natural de Brasília, que certifica produtos com design feito por brasilienses.

A marca acaba de lançar o MAPA Brasília Cool Destination, um mapa com os melhores cafés, lojas de vinis, locais para ver o pôr do sol e visitar galerias em Brasília – uma rota afetiva de quase 200 lugares, traçada por artistas brasilienses. Os cinco mil exemplares são gratuitos e estão disponíveis no balcão de informações do Brasília Shopping, na Asa Norte, para turistas e moradores.

Além disso, o Experimente Brasília conta com espaço no Brasília Shopping para conectar pessoas e compartilhar paixões com Brasília como inspiração. A pop up natural de Brasília oferece design genuinamente brasiliense com peças autorais cheias de bossa feitas à mão por designers inspiradores: mobiliário, moda com história, joalheria e arte. Lá, funciona o espacinho, para trocas, bate papos, lançamentos e novidades que circulam pelas ruas da cidade.

A diretora criativa do Experimente Brasília, Patrícia Herzog, ressalta que o projeto brasiliense e nasceu carregado de significado e propósito. Uma iniciativa da Tríade Patrimônio Turismo e Educação, que há mais de 10 anos trabalha com o fortalecimento e a valorização da cidade. “A gente sempre atuou com patrimônio, turismo e educação, somos brasilienses, e a nossa principal estratégia é o localismo como inovação. A gente vive numa cidade que apaixona moradores, mas estranha visitantes”.

O Experimente Brasília compartilha o life style brasiliense. “Brasília é uma cidade única, não existe nada igual no mundo e isso, por si só, é um grande diferencial competitivo frente a outras cidades, mas nunca foi trabalhado internamente como motor de desenvolvimento local. A nossa jornada foi transformar essa atratividade em efetivamente um produto capaz de comunicar a essência do destino, capaz de conectar pessoas e compartilhar paixões”, diz Patrícia.

patiherzog“O Experimente compartilha com o mundo a paixão de seus anfitriões locais baseada no fortalecimento e na valorização da identidade local. Faz o design e empreende junto com outros apaixonados por Brasília para colocar experiências únicas numa plataforma comercial, cria produtos com alma, recheados de significado e com identidade brasiliense e fomenta a produção local por meio do design.”
Patrícia Herzog, Experimente Brasília

A página do Experimente Brasília  já anuncia o jeito diferente de enxergar a cidade com sugestões de programas inusitados. Na Rota do Modernismo, o turista ou morador percorre criações de Lucio Costa, Oscar Niemeyer, Athos Bulcão e Burle Marx e descobre segredinhos modernistas. Na Caça Vinil, experimenta lojas, sebos e acervo de colecionadores com um DJ da cidade apaixonado por bolachões. Tem ainda a Brasília Cool, que apresenta espaços criativos da moda, da arte e do design com passeios a lojas, brechós, cafés e galerias que agitam a cena cultural da cidade.

Há várias outras iniciativas disruptivas acontecendo em Brasília. Tenho falado sobre várias delas aqui no  Consumo Consciente.

Serviço

Dulcina Vive
SDS – Teatro Dulcina
dulcinavive@gmail.com

Experimente Brasília
CLN 215 BLOCO B SALA 113 – Asa Norte
(61) 3272-3780
info@experimentebrasilia.com.br
www.experimentebrasilia.com.br

Maiê Lab School
CLS 306 Bloco A Loja 33 Sobreloja – Asa Sul
61 9926-6166
www.maie.me

Perestroika Brasília
CRS 512 Bloco A Loja 33 – Asa Sul (O Pavilhão)
61 99225-7863
www.perestroika.com.br

 

Deixe uma resposta