Colégio Ciman: ensino prático sobre sustentabilidade

O Colégio Ciman produz energia limpa e renovável, adota sistemas naturais coordenados para amenizar os dias quentes e secos do Distrito Federal e está trocando toda iluminação para lâmpadas de LED, mais econômicas e duráveis. Essas iniciativas sustentáveis são ensinadas na prática para alunos a partir dos 10 anos, no 5o ano. A proposta pedagógica parte da realidade do planeta, que exige urgência na conscientização sobre a degradação da natureza, para o cenário escolar e apresenta conceitos como compensação, economia e forma de produção.

Trata-se da educação pelo exemplo e permite que os alunos reflitam e vivenciem o impacto de deixar de gerar uma pegada de carbono de 40 mil quilos de CO2 na atmosfera. Isso sem falar que barateia a conta de energia. A caminhada mais ecológica da escola é acompanhada pela comunidade escolar em tempo real, a partir de um telão instalado no hall de entrada do colégio e que mostra as quantidades de energia produzida e de CO2 economizado com o uso da energia solar.

O diretor do Colégio CIMAN, unidade Cruzeiro, professor Leonardo Eustáquio, é convicto do impacto forte e positivo que iniciativas para conscientizar os jovens para questões ambientais e de sustentabilidade têm na formação de cidadãos e cidadãs conscientes dos desafios do planeta para reverter a degradação da natureza. Ele conta que são constantes os relatos de famílias impactadas pela educação ambiental dos filhos.

Certa família, por exemplo, contou que durante uma viagem, no hotel, pai e mãe ficaram empolgados em usar a banheira. Os filhos, alunos da escola, os repreenderam e comentaram que o gasto para uma pessoa tomar banho de banheira é suficiente para toda a família tomar banho de chuveiro. “As famílias percebem e são sensibilizadas e educadas. O impacto desse cidadão não é só no futuro e acontece no dia a dia. Isso faz muito diferença ao reverter a degradação ambiental”, comenta o professor.

leonardoprofeciman“A escola tem muito importância na conscientização ambiental e mostra caminhos e ideias, traz a discussão, sensibiliza e faz com que o aluno pense e repense o que há de se fazer diferente na sociedade.”
Leonardo Eustáquio, diretor do Ciman Cruzeiro

Autossuficiente em energia
O Ciman produz praticamente 100% dos cerca de 29 mil kW/h por mês de energia elétrica que consome com o sistema de produção de energia solar. Os 630 painéis fotovoltaicos com dois metros quadrados cada um e que cobrem os quatro blocos da unidade Octogonal da escola estão em funcionamento desde desde 14 de setembro de 2016. Em caso de energia excedente, a sobra pode ser negociada com a Companhia Energética de Brasília (CEB). O diretor-geral do Colégio Ciman, professor Atef Aissami, informa que o investimento deverá se pagar em seis anos e explica que o calor do sol se transforma em energia contínua depois de captado pelos painéis e, ao passar por um inversor, se torna energia alternada e é enviada para a rede elétrica da CEB.

atefprofessorciman“Se usarmos menos do que produzirmos, teremos sobra de energia, que cairá direto na rede; se for menor, pagaremos a diferença”, acrescenta o professor Atef . A variação de produção depende de épocas chuvosas e secas e da quantidade de calor recebida a cada dia, com diferenças já previstas, também, entre as quatro estações do ano.”
Atef Aissami, diretor-geral do Ciman

Outra medida sustentável em prática no Ciman são os vaporizadores de água acoplados aos ventiladores em lugar de ar-condicionado. O equipamento foi instalado para amenizar os dias quentes e secos do Distrito Federal. Depois de buscas e testes, o colégio aderiu ao modelo de vaporização de gotículas de água que se dispersam no ar pela força eólica.

Integrado a esse sistema de umidificadores, para amenizar as altas temperaturas do cerrado na época da seca, foram instalados exaustores para retirar o ar quente do ambiente. No ginásio coberto da unidade do Cruzeiro, essa instalação foi feita juntamente com o isolamento acústico, para diminuir o vazamento de barulho para a vizinhança. Além disso, as duas unidades da escola receberam 1.500 lâmpadas de LED, mais econômicas e duráveis e são a primeira etapa da troca total das lâmpadas.

A sustentabilidade também está no respeito aos direitos das pessoas. O CIMAN Octogonal ganhou dois novos acessos em rampa para cadeirantes e carrinhos. Na entrada principal, foi instalada mais uma rampa de granito flameado. Na entrada da cantina, uma pequena elevação foi substituída por rampa.

Gincana
No dia 12 de maio, a escola promoveu a já tradicional gincana, com tarefas relacionadas à solidariedade e à responsabilidade ambiental. Uma das provas que geraram mais expectativa entre os alunos foi a construção de uma casinha de bonecas com caixas usadas de leite longa-vida. Mas a prova acabou sendo adiada porque as embalagens estavam comprometidas por que nem todos os alunos obedeceram a regra de entregar a caixa limpa. “Os líderes da gincana fizeram um acordo comigo: realizarão uma coleta para a construção de uma nova casa, mas não temos essa data marcada ainda”, explicou o diretor do Colégio Ciman Cruzeiro, professor Leonardo Eustáquio.

“Foi uma perda muito grande não realizar essa prova. Em compensação, numa escola, nós exploramos muito o aprendizado. E você aprende não só pelos acertos, mas pelos erros também. Eu fiz questão de conversar com todos os alunos no segundo dia de prova falando sobre essa nossa derrota. Os alunos que não entregaram a caixa limpa prejudicaram o projeto, a prova e deixaram de praticar essa ação ambiental”, comentou o professor Leonardo.

Gincana-Ciman-Cruzeiro03_foto-Luciana-Aragão-CIMAN-768x512
Alunos coletaram caixas de leite para a prova, que acabou adiada.

Apesar do contratempo, a gincana prosseguiu e pontuou a equipe que apresentou a conta de água com a maior redução de gastos entre dois meses desse ano. A prova foi avisada em fevereiro e os alunos prepararam a família para as contas de março, abril e maio e levaram o resultado. “Essa é uma ação que tem impacto dentro da casa do aluno e reverte o conhecimento em ação. Acreditamos estar no caminho certo por formar um cidadão sensível e consciente desse desafio”, constatou o professor Leonardo.

Os alunos promoveram ainda a coleta de meia tonelada de alimentos não perecíveis que serão doados para a ABRACE, Creche Alecrim (Cidade Estrutural) e Creche Tia Angelina (Varjão).

Deixe uma resposta