The True Cost: o custo da moda

#CineConsumoConsciente

O audiovisual é um poderoso aliado da conscientização das pessoas sobre a urgência em frear o consumismo e adotar práticas de Consumo Consciente, em especial os documentários. Periodicamente, a coluna trará uma dica de filme com um mapa para saber mais sobre iniciativas, pessoas e dados citados nesses documentários. A ideia é facilitar a experiência de saber mais sobre histórias que alertam e inspiram, informam e conscientizam. O segundo título do #CineConsumoConsciente é The True Cost.

O documentário The True Cost, de 2015, descostura o modo de produção do mundo da moda. Graças a uma campanha bem sucedida de financiamento coletivo (crowdfunding) na plataforma Kickstarter foi possível realizar o documentário, que ao longo de 1h32 de duração conduz o expectador a refletir sobre as roupas que usa e as pessoas que as fabricam.

O impulso para produzir o documentário foi o trágico desabamento do edifício Rana Plaza, em Dhaka (Bangladesh), no dia 24 de abril de 2013, após inúmeras advertências sobre rachaduras graves na estrutura. O local abrigava cerca de cinco mil empregados da indústria da moda, sendo quatro grandes fábricas exportadoras e algumas lojas.

A tragédia deixou 1.133 mortos e 2.500 feridos e motivou a produção de The True Cost e a campanha Fashion Revolution. O intuito é mostrar ao mundo que a mudança é possível através da criação de um futuro mais sustentável e da criação de conexões que exigem transparência. O documentário, com direção e roteiro de Andrew Morgan, traz entrevistas com personalidades que vale a pena acompanhar fora da telinha.

Livia Firth

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A eco ativista Livia Firth (à esquerda, de vermelho) usa seu feed no Instagram para fazer contraponto à fast fashion. Esse look é um vestido vintage que ela herdou de um amigo e compartilha com a irmã.

A produtora executiva de The True Cost e fundadora da empresa de consultoria ambiental e ética Eco-Age. A ativista italiana é casada com o ator inglês Colin Frith e impacta o universo das celebridades com ações pelo consumo consciente na moda. Ela lidera projetos como o Green Carpet Challenge, em que famosos transformam tapetes vermelhos em uma plataforma para mostrar o glamour da ética, da sustentabilidade e do bem-estar social por meio da moda. No seu feed do Instagram, ela estará vestida com roupas recicladas, velhas, antigas e desgastadas. Ah, e a #GOT é para Global Organic Textiles, viu?

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Stella McCartney

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A estilista é uma das principais vozes da moda consciente, sobretudo entre as celebridades.

A estilista londrina herdou convicções ecologicamente corretas do pai, o roqueiro e ex-Beatle Paul McCartney, e da mãe, a fotógrafa Linda Eastman. Vegetariana, não utiliza matérias-primas de origem animal e não perde a chance de tentar convencer os colegas estilistas a abrirem mão das bolsas de couro e dos casacos de pele. Como cresceu cercada de celebridades, é nesse mundo de glamour que defende e propaga as ideias do consumo consciente.

Recentemente, ela anunciou parceria com a Parley for the Oceans, uma comunidade que reúne representantes de indústrias criativas para aumentar a conscientização sobre os oceanos e colaborar em projetos que podem acabar com sua destruição.

Ela comanda a marca Stella McCartney, lançada em 2001 e presente em cinquenta países. As peças dela combinam sensualidade e recato em peças de alfaiataria muito bem feitas. Antes de virar profissional, ingressou no mercado da moda foi aos 15 anos, quando trabalhou na primeira coleção de alta costura do estilista Christian Lacroix.

Cursou moda na Faculdade de Arte e Design Central St Martins de Londres e seu projeto de conclusão do curso teve suas peças desfiladas pelas amigas Naomi Campbell e Kate Moss. Em recente entrevista, ela confessou vergonha pelo episódio e acha que exagerou no glamour.  Em 1997, debutou como estilista na tradicional grife francesa Chloé, lugar que já havia sido ocupado por Karl Lagerfeld, um ícone dos fashionistas.

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Vandana Shiva

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A ativista indiana é uma formadora de opinião importante para refletir sobre a preservação do meio ambiente.

A ativista ambiental e anti-globalização nascida na índia é física, doutora em filosofia e ecofeminista. Nas últimas três décadas, ela tentou ser a mudança que queria ver no mundo. Quando achou que a ciência e a tecnologia dominantes atendiam os interesses dos poderosos, fundou, junto com outros acadêmicos a  Research Foundation for science, Technology and Ecology (RFSTE) [Fundação de Pesquisa para Ciência, Tecnologia e Ecologia], uma organização participativa e de pesquisa de interesse público. Quando encontrou corporações globais que queriam patentar sementes, culturas ou formas de vida, começou a Navdanya, ong com a missão de proteger a biodiversidade, defender os direitos dos agricultores e promover a agricultura orgânica.

A jornada da Navdanya / RFSTE levou à criação de mercados para os agricultores e a promover alimentos saborosos, saudáveis ​​e de alta qualidade para os consumidores. A iniciativa conecta a semente à cozinha, a biodiversidade à gastronomia. E, agora, faz parte do movimento Slow Food para comemorar a qualidade e a diversidade cultural da comida indiana.

A trajetória de Vandana Shiva pelo caminho da sustentabilidade ecológica começou com o Movimento Chipko na década de 1970, quando as mulheres na região do Himalaia protegiam as florestas abraçando árvores. Para ela, a ecologia e o feminismo são inseparáveis. A ativista se autodefine uma ecofeminista e defende a expressão Diversed Women for Diversity (Diversas Mulheres pela Diversidade, em tradução livre), que expressa a combinação dos direitos das mulheres e os direitos da natureza e celebra a diversidade cultural e a diversidade biológica.

“A defesa dos direitos da natureza e dos direitos das pessoas se reuniu para mim na Democracia da Terra – a democracia de toda a vida na Terra, uma democracia viva que apoia e é apoiada por cultura viva e economias vivas.”
Vandana Shiva

Dentre as inúmeras honrarias internacionais que já recebeu está o Right Livelihood Award (chamada de Prêmio Nobel Alternativo) e sua participação no Top 100 mulheres ativistas, do jornal britânico The Guardian. Reconhecida internacionalmente como figura de destaque no movimento antiglobalização, Vandana Shiva tem se envolvido com atividades pela preservação das florestas da Índia e programas sobre biodiversidade.

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Orsola de Castro

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Fundadora do Fashion Revolution, Orsola é pioneira no upcycling no Reino Unido e no mundo.

A fundadora e diretora criativa do movimento Fashion Revolution é pioneira na prática de upcycling, desde 1997 quando lançou a marca From Somewhere, que utiliza descarte de marcas de luxo para criar novas peças. Ela acredita que a indústria da moda pode liderar o avanço do pensamento sustentável. Para ela, a moda tem um papel tão crucial, pois é a pele que escolhemos, um reflexo de nossa imagem pessoal.

Orsola avalia que as roupas afetam 100% da população, então o setor só tem como crescer em estatura e expansão. Também é a única indústria que tem a obsolescência programada em sua essência, exigindo assim mudança e reinvenção constante. É a máquina de produção em massa perfeita. Todo mundo quer uma casquinha da moda.

A sustentabilidade é um atributo que Orsola acredita que seja essencial para a moda. Trata-se de uma indústria jovem, que não tem mais de 35 anos se comparada à indústria automotiva, que tem 130 anos, e o cinema, de 100 anos. Há uma chance real desse segmento  de acertar ainda na infância e liderar o pensamento sustentável.

A ativista destaca que a moda é a segunda indústria mais poluidora do mundo, mas também gera empregos para milhões de pessoas, principalmente mulheres, então o impacto nas pessoas e no planeta é enorme. Quanto aos consumidores, que ela prefere chamar de cidadãos, na visão de Orsola são parte ativa da solução em cada pequena escolha que fazem. Pode ser comprando menos, comprando melhor, levando essa campanha para casa… Existem muitas formas de se envolver para cada um de nós se quisermos fazer parte da mudança.

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Entrevista para a Vice

 

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