Instituto Alinha: assessoria para uma moda justa

Melhorar as condições de trabalho e de vida de costureiros e costureiras e garantir relações de trabalho justas na cadeia da moda. Esse é o propósito do Instituto Alinha, um negócio social – com atuação em São Paulo, maior polo têxtil do país – que quer transformar a realidade da moda. Para isso, oferece assessoria gratuita a oficinas de costura e as conecta a confecções e estilistas comprometidos com o comércio justo.

Conversei com a cofundadora e presidente do Instituto Alinha, Dari Santos, 26, graduada em Relações Internacionais e natural de Lençóis Paulista, que relembrou que a iniciativa nasceu da indignação em saber que ainda há milhares de trabalhadores e trabalhadoras que vivem em situações análogas à escravidão na indústria da moda.

dari“Trabalhei em uma pesquisa de campo para entender a realidade socioeconômica de imigrantes que trabalham em condições precárias em oficinas de costura, essa pesquisa se transformou em meu trabalho de conclusão de curso. Ao conhecer mais a fundo essa realidade, pude entender que essas oficinas precisavam sair da invisibilidade, e serem conectadas com marcas e estilistas dispostos a mudar essa indústria.”
Dari Santos, presidente do Instituto Alinha

A plataforma do Instituto Alinha foi desenhada em 2014, durante a participação no Social Good Brasil Lab, um laboratório pioneiro no Brasil que apoia empreendedores a desenhar e validar ideias que usam tecnologias para impacto social. O Alinha venceu o desafio em primeiro lugar, e com o capital semente da premiação foi dado início à trajetória do Instituto.

Dari é a empreendedora social que alinhava o Alinha e conta com um grupo de colaboradoras que fazem o dia a dia do Instituto acontecer. A motivação desse time é conhecer a história de cada costureira e costureiro. A partir do contato com a realidade dessa cadeia produtiva, é inevitável transformar o modo de enxergar a moda.

Embora não tenha nenhuma ligação com a moda, que imaginava ser algo distante do cotidiano dela, Dari percebeu que ser desligado das tendências, não desliga da realidade por trás das roupas. Para ela, se estamos vestidos, então também fazemos parte disso.

10173669_815498428510373_2717393394504412876_n“Passei a olhar para as roupas de uma forma diferente, sempre me questionando qual teria sido a história por trás de quem havia costurado. A valorização da mão de obra precisa começar com cada um de nós.”
Dari Santos

O Instituto é financiado por meio de captação de recursos em editais, prêmios, parcerias com fundações e institutos, e prestação de serviços. Essa captação mantem a assessoria nas oficinas de costura totalmente gratuitas, e as vagas para o atendimento nas oficinas são abertas de acordo com o valor captado. Além disso, o Alinha cria planos de acesso à plataforma, que custeiam o acompanhamento com visitas esporádicas às oficinas que já passaram pela assessoria.

Etiqueta

A etiqueta Alinha surgiu a partir da demanda dos consumidores para saber quais peças foram costuradas pelas oficinas assessoradas pelo Instituto. O propósito é garantir o trabalho justo na costura de cada uma das peças que passam diretamente pela mão do costureiro e da costureira e já saem da oficina identificadas.

O Alinha não tem como garantir que as marcas produzem 100% de suas peças dentro das oficinas que integram o projeto. Mas a etiqueta serve para mostrar quais peças passaram pela mão de um costureiro e costureira que trabalhou em condições justas de contratação.

Oficinas Alinhadas

Um oficina assessorada pelo Alinha é chamada de Alinhada. A assessoria consiste em um acompanhamento que dura, em média, de 3 a 6 meses, para atingir os requisitos mínimos de formalização e segurança. Com esses requisitos preenchidos, e obtendo o mínimo de 3 estrelas, a oficina se torna visível na plataforma para receber pedidos, e com a geração de renda, continuar investindo nas melhorias para atingir e/ou manter as 5 estrelas de uma oficina ideal.

Um dos serviços prestados pelo Alinha é uma tabela de precificação justa, um levantamento de preços mínimos realizado pelo Instituto. A tabela sugere, por exemplo, que uma camisa de tecido plano custa, no mínimo, R$ 15; um vestido curto, R$ 20; e um blazer, R$ 40.

Em 2018, o Instituto Alinha tem o desafio de iniciar a expansão para outros estados e polos produtivos no Brasil. Atualmente, a iniciativa atua em oficinas de costura em São Paulo e na Grande São Paulo, o maior polo têxtil e que também concentra o maior número de oficinas de costura informais.

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