Instituto Ecozinha: transformar lixo em ativo ambiental

O Instituto Ecozinha Restaurantes Sustentáveis foi lançado em novembro de 2017, impulsionado pela entrada em vigor da Lei dos Grandes Geradores. A legislação distrital determina que a responsabilidade pelo gerenciamento dos resíduos sólidos de grandes geradores, que produzem a partir de 120 litros por dia, é de quem gera. A norma vale tanto para pessoa física quanto jurídica, como os restaurantes.

O idealizador do Instituto Ecozinha é o chef da rede Dona Lenha, Paulo Mello, 57. Há muito tempo ele adota práticas sustentáveis na vida pessoal e profissional e acompanha com interesse a questão do gerenciamento de resíduos sólidos. Favorável e cumpridor da Lei dos Grande Geradores, ele critica a logística proposta e, por isso, resolveu aprimorar o processo.

A nova lei obrigou o mercado de restaurantes do Distrito Federal a desenvolver um programa para gestão de resíduos. Paulo já estudava o tema e propôs um modelo aprimorado que transforma o lixo de passivo ambiental para ativo econômico. Convidou para se juntarem à rede Dona Lenha 15 casas tradicionais da cidade: Baco Pizzaria, Beirute, Belini, Carpe Diem, Daniel Briand, Dom Francisco, El Paso, Feitiço Mineiro, Grand Cru, Green’s, La Boulangerie, Marietta & Marvin, Oliver, Universal Diner e Santa Pizza. Nascia o Instituto Ecozinha.

De acordo com a Lei dos Grandes Geradores, a separação do que pode ser reciclado ocorre depois da coleta no grande gerador. Essa é a principal diferença para o modelo Ecozinha, adotado pelos restaurantes que integram o Instituto. Os resíduos já são separados na origem.

“Já que a responsabilidade de gerenciamento é do grande gerador, o melhor é que o processo seja feito corretamente. Os resíduos devem ser tratados como ativo e não como passivo. É preciso criar uma cadeia onde exista valor econômico, social e ambiental a partir a partir da sua gestão.”
Paulo Mello, Instituto Ecozinha

22555064_289318031564130_8040064926681482704_n (1)

Bunkers facilitam logística

Um dos principais gargalos para gerenciamento de resíduos sólidos por restaurantes é o vidro. Algumas casas chegaram a suspender a venda de bebidas em vasilhames de vidro descartável. No Distrito Federal não existe instalação para reciclagem desse material.  O Instituto Ecozinha firmou uma parceria com a Green Ambiental para a empresa recolher o material nas casas do Ecozinha e transportar para reciclagem em São Paulo (SP).

Para facilitar essa logística, o Ecozinha iniciou a instalação de pontos de coleta nos restaurantes fundadores. No dia 9 de fevereiro, a unidade Dona Lenha da 202 Sul recebeu o primeiro conjunto de bunkers para coleta de vidro, metal, papel e plástico. Esses kits chegarão, em breve, a outras 15 casas. No futuro, o intuito é oferecer pontos de coleta de resíduos sólidos para o público.

Exceto o vidro, os outros materiais coletados – metal, papel e plástico – são recolhidos pelo SLU, que destina a catadores. O Ecozinha planeja, no futuro, direcionar a coleta diretamente para uma cooperativa de catadores.

Já o lixo orgânico está virando adubo. Desde janeiro de 2018, os resíduos orgânicos dos restaurantes do Ecozinha são destinados à compostagem em um projeto piloto. Por volta de maio, quando a fase inicial do processo for concluída, sairá a primeira leva de adubo. Essa compostagem está sendo feita em um pátio experimental na Colônia Agrícola Águas Claras. A ideia é que esse adubo seja destinado a produtores da agricultura familiar do DF.

O Instituto Ecozinha, em parceria com o Sebrae-DF, está promovendo o I Curso de Capacitação em Compostagem de Resíduos Sólidos Orgânicos. O programa gratuito tem três módulos e o objetivo de informar grandes geradores sobre a correta destinação dos resíduos sólidos orgânicos.

Ações para sustentabilidade

O Instituto Ecozinha é uma entidade sem fins lucrativos, com a missão de propor e implementar ações de sustentabilidade para o Setor de Alimentação. Além da gestão do lixo, há compromisso com ações relacionadas ao uso responsável da água, energia limpa, relacionamento com consumidores, agricultores e fornecedores. O próximo foco de atuação será a produção de energia limpa, com a construção de uma usina fotovoltaica (energia solar) para gerar energia para os associados.

Leia também

Desperdício de alimentos: um mal a ser cortado pela raiz

Lei nº 5.610, de 16 de fevereiro de 2016 (Lei dos Grandes Geradores)

Deixe uma resposta