Camilla Custoias: pesquisa sobre cosméticos verdes

Desde que me voltei para o universo do consumo consciente, um dos ramos que mais me desperta o interesse é o de cosméticos verdes. Só que acho tudo muito complicado, nomes difíceis e selos demais. Na hora de escolher o produto, fico sempre confusa e nunca estou segura da minha opção. Meu primeiro passo foi investir apenas em cosméticos que não testam em animais. Tem outros aspectos importantes, mas eu precisava, primeiro, começar a transformação. Acha que é fácil? Nada. Haja SAC para saber se aquele xampu em um preço ótimo atende o meu critério.

Eis que um texto sobre  meliponicultura me conduz até a paulistana Camilla Custoias, 23. Minha fonte, Celso Barbiéri, me pediu para responder e ajudar a divulgar a pesquisa para o mestrado da amiga. Foi um achado o trabalho dela! As informações que ela está organizando sobre o cosméticos verdes são um guia incrível para quem quer abraçar essa causa.

A jornada da Camilla começou durante a graduação em gestão ambiental na EACH-USP. A professora, que hoje é orientadora dela no mestrado, apresentou um vídeo para a turma que foi um divisor de águas: História dos Cosméticos. Este aqui:

O filme aborda os efeitos adversos à saúde causados por ingredientes presentes em cosméticos e de seus impactos ambientais. Intrigada com as informações do vídeo, ela decidiu pesquisar como seria possível produzir cosméticos menos agressivos à saúde e ao meio ambiente.

Durante a investigação, ela se deparou com empresas que produzem cosméticos naturais, orgânicos e veganos, sejam eles certificados ou não. Ao mesmo tempo, encontrou diversas empresas que possuem um “discurso ecológico”, mas, ainda assim, utilizam substâncias potencialmente perigosas em seus produtos ou realizam testes em animais. Isso já tem até nome: greenwashing.

“Uma vez que o papel da certificação é garantir que os apelos feitos por uma empresa ou produto são verdadeiros, fiquei interessada em investigar a importância da certificação no mercado de cosméticos verdes.”
Camila Custoias

Necessaire da Camilla

Antes mesmo de iniciar a pesquisa, Camilla sempre teve um olhar crítico sobre a realização de testes em animais e procurava utilizar cosméticos não testados em animais e, se possível, veganos. Já em relação aos cosméticos naturais e orgânicos, apesar de conhecer os benefícios, ela foi limitada por preços altos. Optou por substituir, progressivamente, itens de higiene pessoal e maquiagem por produtos naturais, orgânicos e veganos com preços mais acessíveis. Ela usa cremes hidratantes, máscaras para cabelos, hidratantes corporais e sabonetes naturais e orgânicos, alguns deles certificados e outros não. Entre as marcas que compra, Vymana Cosméticos, Almanati Cosméticos e Boutique do Corpo

A Camilla me concedeu uma entrevista e destrinchou tim tim por tim tim as definições dos cosméticos verdes. Uma verdadeira Tecla SAP.

Certificação

O selo de certificação serve para comunicar os consumidores sobre os atributos daquele produto e garantir se são verdadeiros. Camilla alerta para a importância de se informar sobre os sistemas de certificação, saber reconhecer os selos nos rótulos e interpretá-los apropriadamente para embasar escolhas. Os cosméticos verdes podem se submeter a seis sistemas de certificação para dois grupos de produtos: cosméticos naturais e/ou orgânicos e para produtos não testados em animais e veganos.

Cosméticos naturais e orgânicos

Ecocert

Selo “cosmético natural”: 95% ou mais dos ingredientes são de origem natural, 50% ou mais dos ingredientes vegetais são orgânicos e 5% ou mais de todos os ingredientes são orgânicos

Selo “cosmético natural e orgânico”: 95% ou mais dos ingredientes são de origem natural, 95% ou mais dos ingredientes vegetais são orgânicos e 10% ou mais de todos os ingredientes são certificados como orgânicos.

Instituto Biodinâmico (IBD)

Selo “cosmético natural”: porcentagens mínimas de ingredientes naturais dependem do tipo de produto em questão

Selo “cosmético natural com porções orgânicas”: 15% ou mais de substâncias são naturais não modificadas e 15% ou menos das substâncias são derivadas de origem natural, além do que 70% ou mais das substâncias naturais de origem animal e vegetal e das substâncias derivadas de origem natural são provenientes de gestão controlada orgânica e/ou extrativista

Selo “cosmético orgânico”: 20% ou mais de substâncias são naturais não modificadas e 15% ou menos das substâncias são derivadas de origem natural, além do que 95% ou mais das substâncias naturais de origem animal e vegetal e das substâncias derivadas de origem natural são provenientes de gestão controlada orgânica e/ou extrativista).

Natrue

Selo “cosmético natural”: porcentagens mínimas de ingredientes naturais dependem do tipo de produto em questão

Selo “cosmético natural com porções orgânicas”: 70% ou mais das substâncias naturais de origem animal e vegetal e das substâncias derivadas de origem natural provêm de agricultura orgânica controlada e/ou de coleta selvagem certificada

Selo “cosméticos orgânicos”: 95% ou mais das substâncias naturais de origem animal e vegetal e das substâncias derivadas de origem natural provêm de agricultura orgânica controlada e/ou de coleta selvagem certificada.

Cosméticos que não testam em animais e veganos

Cruelty Free

Selo “Cruelty Free”: Não foram encomendados ou realizados testes dos ingredientes ou produto final em animais

Selo “Cruelty Free e Vegan”: Não foram encomendados ou realizados testes dos ingredientes ou produto final em animais e não foram utilizados ingredientes de origem animal no produto em questão,

The Leaping Bunny

Não foram encomendados ou realizados testes dos ingredientes ou produto final em animais.

Selo Vegano SVB (Sociedade Vegetariana Brasileira)

Não foram encomendados ou realizados testes dos ingredientes ou produto final em animais e não foram utilizados ingredientes de origem animal no produto em questão.

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