Mundo de Rosa: bonecas artesanais em homenagem a mulheres possíveis

O Mundo de Rosa é um projeto da publicitária Rosa Cordeiro, 43, que cria bonecas de pano inspiradas em mulheres possíveis. Nascida em Niterói (RJ), chegou em Brasília aos 3 aninhos e se considera totalmente brasiliense. Amigos, referências e músicas remetem ao Quadradinho. Carrega lembranças que só uma brasiliense pode ter, como ainda chamar o Parque da Cidade de Parque Piton Farias.

Eu e Rosa nos conhecemos no início da adolescência, no final da década de 80. Ambas participamos de desfiles de moda em um shopping da cidade. Nos reencontramos adultas, quando contei a história do projeto que ela finalizou este ano, o Costuras e Vinil. Ela, junto com a minha tia Lídia Glória (que colocou nós duas na passarela) foram minhas madrinhas na costura. Uma nova habilidade que me mostrou o quanto é terapêutico o mundo analógico das linhas e aviamentos.

O universo das manualidades se manifestou para ela durante um período em que acompanhou o marido em uma temporada fora do país e ficou sem trabalhar. Descobriu coisas incríveis, que na velha rotina de profissional do mercado de propaganda jamais teria oportunidade de conhecer, como a costura. Ela começou a costurar fazendo roupinhas para as bonecas da filha. Essa experiência abriu as portas para a menina que nunca havia sido.

O Mundo de Rosa não surgiu como projeto. Tudo foi acontecendo da forma mais orgânica possível, como ainda está sendo. Rosa recorda que não foi uma criança que gostava de brincar de boneca. Ela analisa que a falta de atração pelas bonecas pode ser explicada pela representação de valores muito diferentes do que queria e do que gostaria de se espelhar. As referências de mulheres que ela tinha eram muito distantes de bonecas como Susi e Barbie.

Nunca gostei muito de brincar de boneca. Sério, na verdade sempre achei muito chato. Susi, Barbie, ou o que fosse, nunca me empolgaram muito. O mundo daquelas bonecas era muito perfeito e pra mim aquilo não fazia muito sentido, não cabia no meu mundo, ou no das mulheres de verdade que estavam à minha volta. Elas, sim, me inspiravam. Eram mulheres que erravam, acertavam, sofriam e eram felizes ao mesmo tempo. Mulheres que amavam incondicionalmente. Mulheres de medo e de coragem. Mulheres livres e reais, assim como eu imaginava que um dia eu seria.”
Rosa Cordeiro

No início, Mundo de Rosa era (e ainda é) o nome da conta no Instagram da Rosa. Lá, ela mostra tudo que faz parte do mundo dela. Quando começou a fazer as bonecas, não poderia dar outro nome: Mundo de Rosa. Ela está presente em cada uma delas e tudo isso faz parte do seu mundo. As bonecas surgiram quando ela começou a prestar  homenagem a amigas, cada uma com seu jeitinho e estilo.

Rosa conta que não existe um processo de criação formado. A inspiração surge de várias maneiras. Às vezes tem uma demanda específica, em muitas outras escuta uma música e começa a criar a boneca que vai ganhando vida e quando está pronta ela já sabe quem representa. Para ela, a criação reside no processo de feitura de cada peça. As bonecas são todas feitas à mão, os rostos são bordados e todas carregam uma tatuagem de rosa bordada.

Além de prestar homenagem a amigas, as bonecas podem ser encomendadas ou inspiradas do imaginário. Como as bonecas de personagens femininas que estão dentro das músicas das quais gosta. Essas peças são criadas com liberdade criativa e sempre são acompanhadas de um texto que narra a história da peça. O processo é lindo e emocionante para quem recebe.

“A música é muito importante pra mim. Ela está em tudo o que eu faço e foi na música que busquei inspiração para a produção da minha primeira coleção de bonecas. Queria de alguma forma representar, por meio das minhas bonecas, aquelas mulheres que estão dentro das músicas que ouço. Dar vida àquelas mulheres que se aproximam de tudo que eu vivo, acredito e sinto. Elas estão nas letras das músicas, eu canto as suas histórias e no Mundo de Rosa elas são as protagonistas que contarão suas próprias histórias.”
Rosa Cordeiro

A primeira leva de bonecas inspiradas em músicas são a Liz, inspirada na música The Ship Song, do Nick Cave and Bad Seeds; a Suzana, da música Suzanne, de Leonard Cohen; e a Ana, de The Dancer, da PJ Harvey. Cada uma dessas bonecas vem acompanhada de uma história que é inspirada na letra da música. É como se a partir da música ela continuasse a sua história.

Rosa com os amigos Thiago Diniz e Dilma Lima

“No caso das bonecas inspiradas em músicas, tive a ajuda fundamental do meu amigo Thiago Diniz, um redator brilhante, com um texto incrível, sensível e conhecedor profundo de mulheres e das músicas que ouço. Foi ele que fez os textos que contam a história da Liz, da Suzana e da Ana. Mas não vou parar por aí. Ainda tem uma lista enorme de músicas e de outras mulheres inspiradoras, que não estão só na música.”
Rosa Cordeiro

Conheça as bonecas da coleção musical do Mundo de Rosa

Liz

Ela já estava com os pés na areia quando percebeu que há muito tempo não encarava o mar. Sempre notava sua presença ali, de canto de olho, mas nunca mais tinha ficado frente a frente com ele. A verdade é que tinha desenvolvido um certo medo daquelas águas, ou, pior, havia se apaixonado pelas pontes, os caminhos seguros.

O hábito e a estabilidade foram companhias tão fáceis e inofensivas ao longo desses anos que ela nem quis se arriscar a procurar a felicidade.

Agora estava ali, tremendo diante da imensidão. Soltou os cabelos, respirou fundo e olhou os barcos atracados tentando decidir qual usaria. Ela sabia que poderia ir do seu jeito, com suas próprias asas (tinha acabado de redescobri-las). Mas no momento ainda precisava de embarcações. Era uma etapa necessária. Sentia a necessidade de conhecer aquele oceano, fazer sua história e, quem sabe depois disso, em algum ponto no meio do nada, onde não se pudesse ver terra firme em qualquer direção, ela finalmente iniciasse seu voo.

Inspirada na música The Ship Song , Nick Cave
Criação: Rosa Cordeiro
Texto: Thiago Diniz

Ana

A sensação era de que todos haviam ensaiado para falar sempre as mesmas palavras: “O problema é que você se entrega demais.” No entanto não existia exagero, ela simplesmente não tinha outra medida, outro tom. E isso ninguém entendia. Achavam que a intensidade acabaria com ela, a deixaria louca. Mas era como se seu espírito houvesse sido criado para aquilo e tivesse as estruturas necessárias para viver assim. Não era, de forma alguma, imune às dores e aos sofrimentos. Mas era capaz de renascer mais vezes que a maioria.

Era uma devota do amor. E por ele esperaria o tempo que fosse para dançarem juntos pelo tempo que fosse. O cansaço, muitas vezes, a tentava tirar de cena, mas não conseguia. Mesmo com as luzes apagadas e as cadeiras vazias, ela permanecia no palco.

Inspirada na música The Dancer, PJ Harvey
Criação: Rosa Cordeiro
Texto: Thiago Diniz

Suzana

Só há uma escolha para quem está ao lado de Suzana: viver o momento. Cheia de vida, ela transborda a cada segundo. Qualquer situação é decisiva e única, de um passeio pela cidade a uma declaração de amor. O presente nunca passa sem ser notado, ela percebe cada pequena oscilação de sentimento. E não importa o caminho ou a viagem, as pessoas a seguem de olhos fechados e coração aberto.  Não há certo ou errado, apenas a sensação de que naquele instante é o que deve ser feito.

É impossível passar uma tarde com ela sem ouvir uma gargalhada ou uma música. Não esconde o que pensa, mas mostra a verdade com delicadeza, como um rio profundo e de águas transparentes. Todos querem estar sempre por perto, fascinados com essa mistura de sinceridade e gentileza. Quem observa Suzana vê sua alegria de longe, e os mais atentos conseguem ver também uma loucura no fundo do seu olhar.

Inspirada na música Suzanne, Leonard Cohen
Criação: Rosa Cordeiro
Texto: Thiago Diniz

Onde comprar as bonecas?

Direto com a Rosa Cordeiro
+ 55 61 99802-8778
omundoderosa@gmail.com
Facebook / Instagram / Spotify

 

 

 

 

 

 

 

 

Deixe uma resposta