Mina Nagô: acessórios com identidade afro

A Mina Nagô é uma marca de acessórios brasiliense comprometida com o enfrentamento ao racismo e a defesa da diversidade. A criativa por trás de peças cheias de referências africanas é a Verônica Barbosa, historiadora, negra e professora que deu início ao empreendimento para driblar o desemprego e a crise financeira.

Desde de que comecei a escrever sobre consumo consciente eu tento uma entrevista com a Verônica. Até que finalmente conseguimos conciliar as agendas para eu contar essa história cheia de significados, ancestralidade e boniteza. Eu tenho várias peças da Mina Nagô e adoro todas.

Antes da marca própria, Verônica trabalhou em uma loja de montagem de bijuterias. Aprendeu algumas técnicas, aperfeiçoou as habilidades. Durante a graduação em História, fez alguns acessórios para presentear amigas e sempre teve um retorno positivo e incentivo para investir na produção própria.

Graduada, Verônica começou a trabalhar como professora substituta de História na Secretaria de Educação do Distrito Federal SEDF. A produção dos acessórios ficou de lado enquanto ela se dedicava à sala de aula.Trabalhou dois anos consecutivos em duas escolas públicas de Planaltina (DF). Ela celebra a experiência, que permitiu participar de projetos para uma educação sem racismo e para a diversidade.

Depois de ficar um ano sem trabalhar como professora, nasceu a Mina Nagô, ainda sem nome. A produção dos acessórios era vendida entre conhecidos e deu muito certo. Em conversa com amigos que já eram afro empreendedores, ela recebeu muito conselhos e orientações para pensar em uma marca e aplicar a identidade própria nas peças.

“Usei meus conhecimentos históricos a meu favor e surgiu a Mina Nagô. O nome foi pensado nas minhas origens ancestrais. Eu queria trazer a identidade afro religiosa do Maranhão como uma identidade minha. O nome Mina nos remete ao Tambor de Mina do Maranhão e Nagô é a etnia dos negros africanos que foram para este Estado brasileiro durante a diáspora africana.”
Verônica Barbosa

Verônica relembra que a produção inicial dos acessórios era bem primária. Com o tempo ela aperfeiçoou e levou identidade para as peças. Ela usa contas, madeira, fios e tecidos africanos. Os tecidos, geralmente, compra diretamente de africanos que participam de feiras internacionais realizadas em Brasília, importa ou compro com os africanos que moram na cidade.

A formação em História de Verônica impacta profundamente a criação das peças da Mina Nagô e está está presente com o estudo prévio da simbologia das cores e dos adereços. Cada peça tem uma identidade e um propósito. A coleção Rainha do Mar, por exemplo, na qual a proposta era trabalhar com Iemanjá. Ela pesquisou o significado do Orixá no Candomblé, as cores e as indumentárias. As peças foram criadas a partir das leituras que fez.

Além do enfrentamento ao racismo e da defesa da diversidade, a Mina Nagô é comprometida com o consumo consciente. A seleção das matérias-primas privilegia as que causam menos impactos ambientais.

“Acredito que aproveitando os retalhos de tecidos doados pelas costureiras, fortalecendo o trabalho de outros microempreendedores que produzem peças, contribuo de alguma forma para um mundo melhor.”
Verônica Barbosa

Coisa de Preto

Verônica tem um projeto paralelo ao da marca Mina Nagô, que é a feira Coisa de Preto. A iniciativa surgiu por meio de parcerias com outros empreendedores negros para dar visibilidade e espaço aos afroempreendedores do DF e Entorno.  A feira também é um espaço de trocas de conhecimento e afetividades entre os expositores e os frequentadores.

Serviço

Mina Nagô
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Onde comprar

Nós – Mercado Criativo – Shopping Iguatemi (loja 44)
Endossa Casa Park
Endossa BsB Sul (306 Sul)
Endossa BsB Norte (310 Norte)
(Caixa Preta em parceria com a Preta Flor)

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