Balões de gás hélio: dá para ficar sem? 

O gás hélio é uma presença invisível e importante na modernidade que nos cerca: fibras óticas, telas de LCD, acelerador de partículas, supercondutores, balões atmosféricos, ônibus espaciais e equipamentos de mergulho em grandes profundidades. Apesar de ser um dos elementos mais comuns no universo, atrás apenas do hidrogênio, aqui na Terra ele é raro e corre risco de acabar. Por isso, faz sentido o apelo de cientistas para banir o uso trivial desse elemento nobre, como para afinar a voz por brincadeira ou encher balões de enfeite.

O alerta de que o gás hélio tem os dias contados foi dado em 2010 pelo físico da Universidade Cornell e ganhador do Nobel Robert Richardson. Ele avisou que as reservas acabariam em até 25 anos e defendeu que balões de hélio para festas deveriam custar US$ 100 cada e não U$ 2. (Saiba mais sobre o preço do gás hélio)

Em 2016, foi anunciada a descoberta de uma grande reserva de gás hélio na Tanzânia. Cientistas britânicos de Durham e da Universidade de Oxford colaboraram com a empresa norueguesa Helium One para usar um novo método de exploração, a partir da atividade vulcânica, usando imagens sísmicas e amostragens geoquímicas para identificar a reserva então recém-descoberta. Os primeiros cálculos indicam a presença de 1,53 bilhão de metros cúbicos de hélio, o equivalente a 600 mil piscinas olímpicas cheias do gás, ou 7 vezes o consumo anual mundial do gás.

O mundo celebrou a notícia, veículos brasileiros e do mundo noticiaram a descoberta e destacaram que o perigo de ficar sem gás hélio muito em breve será afastado. Infelizmente, não há dados disponíveis sobre o estudo dos impactos sociais e ambientais dessa empreitada. No site da empresa, o prospecto para investidores informa que essa etapa está terminada, sem dizer os resultados. Preenchi o formulário de contato da página e espero resposta.

Apenas os usos medicinais e científicos do gás hélio seriam o suficiente para justificar a proibição de uso banal, como em balões de festas. Outro aspecto desse combo merece a nossa atenção. Embora as bexigas sejam feitas, em geral, de látex, um material biodegradável, até que seja decomposto pela natureza pode provocar muitos estragos.

Para começar, as bolas de borracha coloridas são um risco para bebês e crianças pequenas, que podem engasgar-se. Quando soltos na natureza, eles atraem animais que os confundem com alimento, principalmente nos oceanos, e acabam ingeridos por tartarugas e outros animais marinhos. As consequências para os bichos podem ser graves, desde a obstrução do tubo digestivo até à morte por asfixia ou inanição.

Preocupadas com a poluição causada por balões quando caem nos campos, florestas e no mar, várias cidades norueguesas, incluindo a capital Oslo, decidiram proibir a venda de balões de hélio durante as festividades do Dia da Constituição da Noruega no dia 17 de maio. 

Aqui no Brasil, pelo contrário, o uso do gás hélio tem sido incentivado em, pelo menos, cinco estados: Alagoas, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. Nessa época do ano, por exemplo, com a proximidade das festas de São João, as autoridades ficam alertas para os riscos do uso de materiais inflamáveis para encher balões. Essa tendência é para garantir a segurança das pessoas e proibir a venda de balões inflamáveis preenchidos com gás diferente do gás hélio. Vale a reflexão se a escassez do produto também será colocada em debate.

Festa linda e com uso consciente do balão

Dá para decorar festa sem balão ou, pelo menos, com o uso consciente? Segundo a jornalista Alessandra Pires, mãe do Francisco, é perfeitamente possível. O que a motivou a pensar melhor sobre o uso das bexigas coloridas foi a segurança das crianças. Ela leu uma matéria sobre o risco dos pequenos engasgarem e ficou alerta. Toda a decoração da festa de um aninho do Chicão foi feita em casa.

“Depois comecei a pensar que é muito látex que não vai ser reciclado, e nem servirá para nada. Não vejo problema em usar um balão ou outro, mas é que em festas eles são muitos. Você gasta uma grana, tem uma decoração que todo mundo tem, não servem para nada depois e ainda poluem”.
Alessandra Pires

 

 

A analista de sistemas Cláudia Kich também decidiu usar com parcimônia as decorações da festa do filho Matheus. O primeiro aninho foi celebrado com uma festa totalmente consciente e com o uso mínimo de balões.

“A organização da festa envolveu várias amigas ecologicamente corretas e os brindes, por exemplo, foram mudas de árvores frutíferas. A decoração teve balão, mas procuramos usar outros elementos também.”
Cláudia Kich

 

 

Para quem não tem tempo, talento nem amigas prendadas, uma alternativa é procurar ajuda de empresas. A Reinventando Festas, por exemplo, aposta na criatividade para usar inúmeros materiais além do balão, que não precisa ser com gás hélio. A empreendedora Beatriz Tostes faz arte com papel, tecido, feltro e customização.

“Procuro fazer um resgate das festas artesanais e afetivas com a personalidade da pessoa. Uso balões nos porta-balões e faço muito cenário com produção própria. Não tenho pedido especificamente para balões com gás hélio, acho que cabe a quem vai decorar a festa não partir para esta alternativa.
Beatriz Tostes

 

 

Serviço

Reinventando Festas
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