Cultivo de algodão orgânico cresce no Brasil, mas ainda é pouco

Número de agricultores orgânicos brasileiros passou de 232 para 308 de 2017 para 2018

O cultivo mundial de algodão orgânico cresceu 10% em 2018 em relação a 2017. No Brasil, houve um aumento significativo do número de agricultores de algodão orgânico, que passou de 232 para 308. Os dados são do Relatório do Mercado de Algodão Orgânico de 2018 (OCMR – Organic Cotton Market Report 2018), produzido pela ong Textile Exchange. A análise exclusiva do algodão orgânico tem como foco a oferta da indústria, volumes de produção, disponibilidade e tendências emergentes de fibras.

A publicação aponta que há muitos casos de sucesso mundo afora na produção de algodão orgânico, mas não estamos nem perto de onde precisamos estar para ter o nível de impacto que o setor poderia ter. Nas entrevistas realizadas para a produção do relatório, foi constatado que há uma fragmentação do setor e falta de alinhamento e liderança.

“Portanto, procuramos modelos de melhores práticas para demonstrar o que é preciso para passar de impactos isolados para impactos coletivos e conectados”, escreveu a La Rhea Pepper, diretora administrativa da Textile Exchange.

O relatório lista cinco condições principais necessárias para alavancar o cultivo de algodão orgânico em escala mundial: uma agenda comum, medição compartilhada, um plano de ação para reforço mútuo do setor, comunicação contínua e uma estrutura “backbone” de apoio.

Embora o orgânico ainda ocupe menos de 1% da produção mundial de algodão, muitos países têm crescimento de dois dígitos. A demanda por mais produção orgânica está sendo respondida pelas marcas, que cada vez mais estabelecem metas e compromisso de investir em algodão orgânico.

No Brasil, o aumento significativo de agricultores de algodão orgânico ocorreu, em especial, graças ao trabalho ESPLAR, no Ceará, e EMATER, na Paraíba. Foram produzidas 43 toneladas de algodão orgânico em uma área de 220 ha de um total de 496 ha. Outros 155 ha cultivam algodão transição para o orgânico.

Na América Latina, a produção de algodão orgânico é caracterizada por pequenos produtores familiares organizados em grupos, geralmente apoiado por ONGs ou comerciantes. A produção é muito dependente do clima e o fenômeno natural “El Niño” afetou severamente a safra entre 2013 e 2016. Em 2017, teve início a transição de volta a um clima mais típico, mas os agricultores ainda enfrentam os prejuízos. Faltam investimento e oferta de semente de boa qualidade.

A grande dose de incertezas não contribui para o crescimento do setor. Instabilidade econômica em países como Argentina, Colômbia e Brasil durante 2018 não amenizou o cenário recessivo. A ausência de programas governamentais eficazes ou investimentos da indústria têxtil no setor orgânico voltou a ser sentida. Apesar disso, a região ainda experimentou um crescimento de 16% produção de algodão orgânico em geral, com produção ocorrendo predominantemente no Peru e no Brasil, e uma pequena quantidade na Argentina.

As perspectivas para a produção de algodão orgânica na América Latina são promissoras. Há um número crescente de eventos e movimentos estratégicos relacionados a orgânicos e algodão sustentável em andamento. Além de uma série de institutos associados a grandes varejistas que têm expressado agendas para desenvolver cadeias de fornecimento mais sustentáveis.

Desafio do Algodão Sustentável 2025

Em maio de 2017, treze das mais renomadas empresas têxteis e de roupas do mundo assinaram o Desafio do Algodão Sustentável 2025 (2025 Sustainable Cotton Challenge) e se comprometeram a garantir que 100% do algodão utilizado provenham de fontes sustentáveis ​​até 2025.

 

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