Cadeia produtiva da moda na Era da Informação, perspectivas para 2030

Design sem nome (42)Ambiente ciberfísico, automação, inteligência artificial, Internet das Coisas (IoT), Internet dos Serviços (IoS), modulação. Narrativas de um futuro possível e desejável para a indústria têxtil e de confecção contemplam minifábricas automatizadas, modulares, móveis e sustentáveis acopladas a sistemas para criação virtual e produção, em nova configuração da estrutura industrial.

A diversidade de produtos com tecnologias vestíveis, emprego de biotecnologias e de novos materiais amplia a demanda por produtos têxteis inteligentes e funcionais, aumentando exponencialmente a diversidade e a intensidade tecnológica de fios, tecidos, aviamentos e produtos auxiliares exigidos para atender novas necessidades de consumo.

Com quase 200 anos, a indústria da moda no Brasil tem a última cadeia têxtil completa do Ocidente, da produção das fibras, como plantação de algodão, até os desfiles de moda, passando por fiações, tecelagens, beneficiadoras, confecções e varejo. O país é referência mundial em design de moda praia, jeanswear e homewear e tem crescido em moda fitness e lingerie.

O setor é o segundo maior gerador do primeiro emprego e cria 1,479 milhão de empregados diretos e 8 milhões de indiretos. Representa 16,7% dos empregos e 5,7% do faturamento da indústria de transformação e seu segundo maior empregador, atrás de alimentos e bebidas (juntos). 75% da mão de obra é feminina. São 27,5 mil empresas formais em todo o país. (Abit, 2017)

Por um lado a Indústria 4.0, a fábrica inteligente, compreende o contexto e ajuda pessoas e máquinas na execução das respectivas tarefas. Representa a evolução dos sistemas produtivos industriais ao intensificar a redução de custos e de erros, a economia de energia, o aumento da segurança, a conservação ambiental, o fim do desperdício, a transparência nos negócios, o aumento da qualidade de vida e a personalização e escala sem precedentes.

De outro, cerca de 60% dos postos de trabalho disponíveis atualmente são passíveis de automação segundo relatório publicado pelo McKinsley Global Institute em 2017. Em um cenário de mudanças lentas, 10 milhões de postos de trabalho poderiam deixar de existir até 2030. No caso de uma automação mais acelerada, o número pode chegar a 800 milhões de postos extintos nos próximos dez anos.

Quanto mais inteligentes se tornarem as fábricas, mais profundas serão as mudanças no papel desempenhado por trabalhadores e trabalhadoras, que estarão gradativamente mais livres da realização de tarefas rotineiras, concentrando-se em atividades mais criativas e de maior agregação de valor.

Um grupo de trabalho em Indústria 4.0 da Academia Nacional de Ciências e Engenharia da Alemanha prevê crescente aumento da necessidade de controle em tempo real, o que provocará alterações no conteúdo, nos processos e nos ambientes do trabalho. Os profissionais deverão assumir mais responsabilidades e investir em seu próprio desenvolvimento, o que resultará em novas formas participativas de projetar o trabalho e de aprendizado contínuo durante toda a vida profissional.

As estruturas organizacionais se tornarão cada vez mais flexíveis e podem criar trabalho em novas faixas etárias, incluindo idosos, e em diferentes locais. Por isso, novos modelos de empresas podem gerar novos empregos e atrair profissionais qualificados disponíveis, reduzindo a tendência de escassez de trabalhadores qualificados, o que já se verifica em países europeus, mas que poderá ocorrer também em países que queiram aumentar o nível de complexidade de sua indústria 

A partir do estudo de futuro “A Quarta Revolução Industrial do Setor Têxtil e de Confecção – A Visão de Futuro para 2030”, a perspectiva é que haverá a intensificação do uso de novas tecnologias de materiais, produtos, processos, comunicação, informação e gestão, a evolução da tendência de criar combos de produtos e serviços deve provocar mudanças estruturais e criar oportunidades para novos perfis empresariais. O uso maciço de novas tecnologias produtivas e a criação de interfaces entre os consumidores e os sistemas de produção deve estimular o desenvolvimento de novos modelos de negócios.

O modo de produção está em mudança, o que cria novo perfil do trabalho e requer a reconfiguração do ecossistema produtivo. Na indústria têxtil e de confecção, a base industrial da moda, o aumento do uso de ciência e tecnologia pode levar o Brasil a um grande salto qualitativo no setor. 

Atualmente, a cadeia produtiva da moda já aplica Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) na modelagem e simulação da manufatura integradas a todos os processos de design. Juntamente com ferramentas de realidade virtual, permite que todos os produtos e processos sejam otimizados de forma rápida (just in time), e sob demanda (produção enxuta).

A Manufatura Social (Computação nas Nuvens) consiste no envolvimento pleno do consumidor no processo produtivo pela internet. No setor de moda e confecção, o conceito de Plataforma em Nuvem para a Manufatura Social envolve cada parte da indústria de confecção, incluindo consumidores, fabricantes, fornecedores, designers, varejistas.

Já as Tecnologias Sustentáveis mostram que a maioria dos produtos têxteis pode ser reciclada, permitindo recuperação de parte da energia e do material empregado. O emprego de sistemas quantitativos de mensuração de impactos ambientais será essencial para a governança da cadeia de valor sustentável.

Em Novos materiais (Smart Clothes), produtos têxteis atuam como sensores térmicos, de tensão, de pressão, químicos e biológicos permitem que diversos tipos de informação provenientes da interação do fio, do tecido ou da roupa com o corpo e com o ambiente. Tais sinais são convertidos, por exemplo, em sinais elétricos para que atuadores possam alterar a cor, liberar substâncias ou mudar a forma.

A aplicação da tecnologia de impressora 3D no setor têxtil e de confecção está dando seus primeiros passos, com a fabricação de roupas sem costura e prontas para uso com geometrias customizadas a partir do desenho de um modelo em desktop.

 

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