Primeira roda de conversa Moda e Política

Cynara Menezes, Dayanne Holanda, Iara Vidal, Gioconda Bretas, Mônica Horta e Domingos Leonelli

O blog Consumo Consciente fez a estreia das rodas de conversa Moda e Política em parceira com a Armária. A primeira edição foi realizada na noite de quarta-feira, 24 de julho, em Brasília (DF) e passa a ocorrer uma vez por mês na loja de moda ativista, agênero e sustentável. O bate-papo foi mediado pela jornalista Cynara Menezes, editora do site Socialista Morena, e contou com a minha presença, de Domingos Leonelli, diretor do Socialismo Criativo, Mônica Horta, idealizadora do Movimento Ecochic Day, e de Gioconda Bretas, sócia da Armária. 

Cynara abriu a conversa com uma proposta de reflexão a partir do filme Estou me Guardando Para Quando o Carnaval Chegar, de Marcelo Gomes (2019, documentário, Brasil, 83 minutos, 10 anos). A obra retrata a cidade de Toritama (PE) como um microcosmo do capitalismo. A cada ano, mais de 20 milhões de jeans são produzidos em fábricas de fundo de quintal. Os moradores locais trabalham sem parar e orgulham-se de administrar o próprio tempo. Durante o Carnaval, único momento de lazer do ano, eles transgridem a lógica da acumulação de bens, vendem seus pertences e fogem para as praias atrás de felicidade. Com a Quarta-feira de Cinzas, um novo ciclo de trabalho começa.

Domingos Leonelli, diretor do Instituto Pensar, foi deputado federal Constituinte, deputado federal e estadual e é integrante da Executiva Nacional do PSB. Ele falou sobre a moda na perspectiva da economia criativa e da Quarta Revolução Industrial, com as novas formas de produção e de trabalho. Comentou que a esquerda brasileira precisa urgentemente renovar-se política, intelectual e programaticamente. E não poderá fazer isso se não tomar consciência das profundas alterações nos processos produtivos modernos e do surgimento de uma verdadeira sociedade em rede.

“Parece evidente que o setor mais dinâmico da economia mundial já não é a indústria de transformação. Empresas que produzem informação, tecnologia, produtos culturais e design, inovação enfim, ultrapassaram em faturamento e produtividade as indústrias tradicionais. Equiparam-se e se vinculam ao capital financeiro, formando conglomerados de serviços tecnológicos como cartões de crédito, Uber, AirBnb e outros.”
Domingos Leonelli – Socialismo Criativo

Mônica Horta, jornalista e artista têxtil que anda pelo mundo pesquisando e comunicando criadores de moda autoral brasileiros, e realizando o Ecochic Day, falou sobre a necessidade de conexões para criar uma rede representativa dos criativos espalhados pelo Brasil. Ela contou sobre a parceria Mídia Ninja e Mônica Horta para conhecer e divulgar os criadores de moda autoral brasileira. O quê, como e onde produzem? Se você é um deles, pode enviar um e-mail pra estilomonica@gmail.com. Ela divulgou em sua coluna no Mídia Ninja os primeiros dez criadores selecionados e mostra o conceito do trabalho de cada um. 

“É lindo, necessário, e urgente que priorizemos o que é feito por quem está do nosso lado, por quem sente como a gente, tem preço justo, está atento a todos os corpos, respeita nossa cultura, tem o olhar pro futuro e produz com amor.”
Mônica Horta, Movimento Ecochic Day

Gioconda Bretas, sócia da Armária com Dayanne Holanda e Anderson Falcão, falou sobre o trio de jornalistas interessados em empreender em moda ativista, agênero e sustentável. Ela descreveu a curadoria das marcas da loja, que leva em consideração aspectos como respeito à dignidade humana, à diversidade e à sustentabilidade. 

“A moda faz P, M e G. S indústria vira para você e diz: “se vira com os seus complexos, com a sua bariátrica, se você não cabe nessa roupa, o errado é você.” E a moda inclusiva trata disso, de vestir todos os corpos, de auto estima, de saúde mental das pessoas em relação aos padrões opressores estabelecidos.”
Gioconda Bretas, Armária

Eu, Iara Vidal, editora do blog Consumo Consciente, promotor da roda de conversa, falei sobre a importância das políticas públicas para dar volume e escala para novas formas de produção e consumo e alcançar as mudanças urgentes e necessárias na cadeia produtiva da moda.

“Se por um lado não existem respostas fáceis para questões complexas, como a sustentabilidade na moda, um valor essencial para o tempo de mudanças é a Democracia.”
Iara Vidal, Consumo Consciente 

Participação da plateia

As pessoas que acompanharam o bate-papo também tiveram lugar de fala. Em uma das participações, Sérgio Calado, criativo da Trapézio, contou como foi vestir o músico e cantor brasiliense Fiákra para o clipe da faixa Legado, lançado simultaneamente à posse de Jair Bolsonaro. A canção convida a comunidade LGBTQI+ a resistir e insinua que todos são “soldados de luz”.

Com participação do rapper Paulo Amaro e de bailarinos da Cia Pocs Crew, o clipe foi gravado no Quartel General do Exército de Brasília, também conhecido como Forte Apache. A ideia foi trazer o contraste entre uma sociedade que prega a diversidade e a aceitação e a intimidação que por muito tempo as minorias sentem em relação à instituição militar.

Moda e Política

Fique ligado na programação das próximas rodas de conversa. Os encontros serão realizados uma vez ao mês na Armária.

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