Moda e Amazônia, mobilizar para regenerar

67982654_666190253878685_5469837636110974618_nO Fashion Revolution Brasil e a Fundação reNature pretendem regenerar 100 mil hectares de terras degradadas da floresta amazônica até 2025 com o plantio de agroflorestas. Acaba de ser lançada a campanha Moda pela Amazônia para impulsionar iniciativas que sensibilizem e informem sobre os impactos gerados pela moda nas florestas. Também está no ar um financiamento coletivo para a causa.

A iniciativa já vinha sendo planejada, mas as queimadas na Amazônia aceleraram o processo. O fogo na floresta, inclusive, incinerou a imagem do país no exterior, levando a reboque o setor nacional de couro. Marcas como Timberlend, Kipling e Vans, da VF Corporation, anunciaram no dia 28 de agosto a suspensão de compras do couro brasileiro até que possam atestar que o material não prejudica o meio ambiente. Nesta quinta-feira, 5 de setembro, a H&M, segunda maior varejista de moda do mundo, avisou que parou de comprar couro do Brasil temporariamente devido a preocupações ambientais ligadas a incêndios na Amazônia.

View this post on Instagram

Há uns meses, em um café com o @felipebvillela , conversando sobre a situação das florestas em nosso país, surgiu a vontade de criar algo entre as duas iniciativas, @renaturefoundation e @fash_rev_brasil , gostei da energia positiva e vontade de transformar o mundo do Fe, o papo se estendeu, levamos a ideia para as equipe e surgiu a campanha #ModaPelaAmazonia . Isso foi antes das queimadas, estávamos com planos de fechar tudo bem redondinho antes lançar, mas a urgência da causa nos fez adiantar e decidimos já anunciar o projeto. . Então apresentamos a campanha Moda Pela Amazônia, parceria entre o Fashion Revolution Brasil e Fundação reNature, que fomenta a sensibilização e informação sobre os impactos gerados pela moda nas florestas, convidando à todos para se engajarem nos seus processos de regeneração. ⠀ A ação objetiva inspirar as pessoas e empresas à se conectarem com a floresta por meio do poder da moda, e ainda regenerar 100 mil hectares de terras degradadas até 2025 através da agrofloresta. ⠀ Nos próximos meses, serão articuladas campanha de conscientização, manifesto para cidadãos, carta de compromisso para empresas e doações para custear a implementação da agrofloresta. ⠀ Acesse e acompanhe: catarse.me/modapelaamazonia Leia mais sobre as relações da moda com a Amazônia: bit.ly/modapelaamazonia_blog ⠀ #modapelaamazonia #fashionfortheamazon #fashionrevolution #quemfezminhasroupas

A post shared by Fernanda Simon (@feh_simon) on

De acordo com o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), quase todo o couro produzido no País é vendido para o exterior. De 110 curtumes que exportam, 65 fazem parte do Leather Working Group (LWG), um selo voltado a boas práticas ambientais que fiscaliza questões como o controle da emissão de gases das fábricas, se há garantia da origem dos animais comprados para a produção de couro (rastreabilidade) e como é feito o descarte de produtos químicos utilizados na fábrica, entre outros critérios. Criada em 2005, no Reino Unido, a certificação reúne 450 empresas de 42 países. Entre elas estão Nike, Adidas, Ikea, Michael Kors e a própria Timberland.

A despeito do impacto imediato que essa medida pode ter no setor, o fato é que a moda  utiliza recursos naturais e humanos e tem grandes relações com o território amazônico. Desde 1988, 48,2 milhões de hectares amazônicos foram desmatados para a criação de gado, o que corresponde a quase o dobro da extensão do Reino Unido.

A criação de gado não é somente para a produção e consumo de carne, mas também para a de couro. O setor de curtume no Brasil vendeu, só em julho deste ano, 84,2 milhões de dólares para o exterior. Além da sua produção estar atrelada ao desmatamento, sua manipulação também traz problemáticas: um dos principais materiais utilizados no curtimento é o cromo – químico corrosivo que pode contaminar água e solo.

No encontro entre a moda e a floresta também tem arte, cultura e artesania, práticas conectadas ao cotidiano dos povos indígenas. Nessas comunidades, as manifestações do vestuário são múltiplas, contam histórias de resistência e celebram as origens da Terra. Os povos originários detêm parcelas do território que são fundamentais para a preservação e equilíbrio da floresta. 

A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo: concentra a maior bacia hidrográfica do planeta, 2,5 mil espécies de árvores e 30 mil de plantas e tem 60% do território no Brasil. Além da enorme riqueza natural, o bioma expira cultura e ancestralidade por meio da medicina natural, tecelagem, culinária e tradições orais. 

“Diante desse cenário, o poder da moda pode ser canalizado para a preservação e regeneração da Amazônia? Se nos mobilizarmos individual e coletivamente, a resposta é sim.”
Fashion Revolution Brasil e Fundação reNature

Nos próximos meses, serão articuladas campanhas de conscientização, manifestos para cidadãos, cartas de compromisso para empresas e doações para custear a implementação das agroflorestas.

 

Deixe uma resposta