Máscaras de proteção: item fashion ou de segurança?

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Look com máscara no desfile de Marine Serre, em Paris. A coleção foi criada antes da pandemia da Covid-19. Foto: Reprodução

Você já deve ter assistido ao vídeo anônimo no qual o narrador-vendedor expõe a coleção de máscaras reluzentes e inúteis como Equipamento de Proteção Individual (EPI). 

Em tempo de pandemia da Covid-19, a gourmetização da proteção à vida e a moda sendo moda.  A jornalista Cynara Menezes, do site Socialista Morena, publicou o vídeo em sua conta no Twitter.

Vanguarda

A pandemia do novo coronavírus transformou máscaras de proteção em item de primeira necessidade. Mas antes dessa crise começar, teve dias de tendência fashion. 

Em janeiro, antes do coronavírus, a cantora Billie Eilish arrebatou cinco Grammy Awards. O símbolo fashion da nova geração passou pelo red carpet com uma máscara de tecido preto transparente com a logo da marca de luxo Gucci. Vanguarda?

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Nos últimos anos, as máscaras estiveram em coleções de outras marcas globais, como Fendi,  Off-White e Marine Serre, cuja foto de desfile realizado em Paris antes de tempos de coronavírus ilustra essa matéria.

Proteção

Mas com a pandemia da Covid-19,  máscara passou de um acessório fashionista para um equipamento de proteção essencial na luta contra o vírus.

Itens de EPI hospitalar devem ficar restritos ao uso de profissionais de saúde. Afinal, é preciso proteger as pessoas que estão na linha de frente do enfrentamento à pandemia do novo coronavírus. 

Já o uso de máscara de tecido é recomendado para todas as pessoas. Há múltiplos esforços para produção desses itens. 

Solidariedade e negócios

A produção de máscaras de proteção viralizaram mundo afora. De costureiras profissionais e amadoras, de forma voluntária ou como oportunidade de negócios, dá para achar esses acessórios para todos os gostos e bolsos. 

Para pequenos e médios empreendedores da moda, tem sido a chance de obter alguma renda. A despeito de todas as atividades não essenciais como a moda paralisadas, os boletos não estão em quarentena.

Médias e grandes confecções e  a indústria têxtil e de confecção em geral também integram esse esforço de produção de máscaras. A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), por exemplo, tem reunido as iniciativas do setor na página eletrônica da entidade.

Entre a ética e a sobrevivência

No grupo de Whatsapp que reúne a equipe do Fashion Revolution Brasília, o tema de máscaras de proteção como EPI ou acessório fashion foi debatido com entusiasmo. Confira as principais ideias, em consonância com a #SemanaDigital.  

#QuemFezMinhaMáscara

Pequenos artesãos e artesãs encontraram na produção de máscaras uma forma de pagar as contas. Gente pequenina nessa engrenagem gigante que continua no esforço de girar a roda da sobrevivência. Essas pessoas precisam continuar mostrando e vendendo seus produtos. Mais do que nunca é hora de ter transparência nos processos por trás de cada trabalho: peças bem feitas, bonitas, personalizadas. Que sigam os protocolos e normas de saúde, com instruções de uso e cuidado. Marcas locais também já oferecem o produto on-line. Muitas delas seguem na produção para preservar emprego de muitos trabalhadores e trabalhadoras.

https://www.instagram.com/p/B-rmG4WpBov/

#VamosJuntos

O Colabora Corais usa a máscara como parte do financiamento coletivo. Este mês, o grupo conseguiu pagar as contas com o apoio da coletividade. Esta semana publicarão a prestação de contas. 

#OutfitCorona

A moda é política, identidade e manifestação cultural, entre tantos outros aspectos.Tem gente que vai querer uma máscara diferenciada para se expressar em meio a essa crise. Pode ser a nova camiseta e propagar mensagens. Ou o novo pretinho básico. A questão é o modo como são produzidas essas peças: quem faz, como faz e quanto cobra. 

 

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